Quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de novembro de 2017
Nessa quarta-feira, o publicitário André Gustavo Vieira da Silva afirmou ao juiz federal Sérgio Moro que repassou R$ 950 mil de propina ao ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, Aldemir Bendine. Segundo ele, o dinheiro foi pago pela empreiteira Odebrecht. A defesa de Bendine nega as acusações.
O publicitário é um dos réus em um processo em que o MPF (Ministério Público Federal) acusa Bendine de receber R$ 3 milhões em propina da Odebrecht. André Gustavo confirmou ter pego o dinheiro, mas disse que desse montante entregou R$ 950 mil ao ex-presidente da Petrobras.
“Eu estava devendo R$ 1 milhão a um amigo de um empréstimo que me fez. E, para eu não transportar de Recife para São Paulo, eu usei o dinheiro para quitar. Imagino, inclusive, que isso está declarado no imposto de renda dele. Parte dos recursos eu deixei no flat durante um tempo e eu fiz dois repasses ao senhor Aldemir Bendine, um de R$ 600 mil e outro de R$ 350 mil”, relatou.
O amigo que recebeu parte do dinheiro entregue pela Odebrecht, segundo André Gustavo, era o ex-presidente do grupo JBS/Friboi, Joesley Batista. “Eu paguei o que devia a Joesley, isso não significa dizer que Joesley soubesse que o dinheiro que tava pagando era fruto disso, não. Para Joesley, era dinheiro meu, para não confundir a interpretação do pagamento”, disse.
Ele também disse que o acerto feito entre ele, a Odebrecht e Bendine poderia chegar a R$ 17 milhões, mas apenas os primeiros R$ 3 milhões foram pagos. “Como tinha um saldo dos R$ 14 milhões a receber, nós não chegamos a determinar exatamente como poderia ficar no final”, detalhou.
Delação
André Gustavo afirmou que não tem um acordo de colaboração premiada com a Justiça. Mesmo assim, decidiu fornecer as informações que considera necessárias para esclarecer os fatos.
Antonio Carlos Vieira Júnior, irmão de André Gustavo Vieira, disse que só esteve com Bendine uma vez, durante cerca de 30 minutos, em um jantar familiar em Porto de Galinhas, e nunca teve com ele uma relação de negócios. Também afirmou que não conhece Marcelo Odebrecht e Fernando Reis.
Silêncio
O ex-presidente da Petrobras também foi chamado para um interrogatório nessa quarta-feira. No entanto, por orientação da defesa, ele se manteve em silêncio.
“A audiência de hoje nos trouxe uma surpresa, porque nós havíamos requerido, antes da audiência, acesso a provas decorrentes de busca e apreensão, e esse acesso não nos foi dado. Como isso não nos foi providenciado, nós entendemos por bem de orientar o senhor Aldemir Bendine a permanecer em silêncio, até que nós tenhamos acesso a estes documentos”, afirmou Toron. O advogado também disse que o depoimento de André Gustavo ajudou a motivar a orientação pelo silêncio.
Após o fim da audiência, Moro determinou que Bendine seja transferido da carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, para o Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo o juiz, a medida tem como objetivo garantir a segurança de André Gustavo.
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