Quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de dezembro de 2017
O País do pré-sal corre risco de um racionamento de combustíveis a partir de 2025 por falta de refinaria para processar o petróleo e de infraestrutura para importar. Segundo a consultoria Strategy&/PwC, o crescimento da demanda e o compromisso ambiental firmado na última Conferência Global do Clima vão exigir investimentos de R$ 87 bilhões a R$ 95 bilhões até 2030. Se nada for feito, em sete anos o abastecimento, especialmente de diesel, ficará comprometido.
O estudo foi encomendado pelo Sindicom, que representa as grandes distribuidoras. Ciente de que a Petrobras não vai mais correr atrás da solução, como no passado, o sindicato começou a pressionar o governo com uma pauta de reivindicações que vai ganhar força a partir de 2018. O pesadelo das distribuidoras é que a economia finalmente cresça, mas falte infraestrutura para dar vazão ao potencial de consumo da população.
O presidente do Sindicom, Leonardo Gadotti, disse que o prazo e o tamanho da crise dependem do crescimento do consumo e dos preços. “Os problemas podem ser antecipados se o País crescer mais que o previsto. Mas o consumo pode ser reduzido por força de preço”.
Para o sócio da Inter.B Consultoria, Cláudio Frischtak, “um eventual racionamento poderia levar a enormes perdas de bem estar da população, como em qualquer racionamento, sob o agravante de que o combustível é essencial para o deslocamento”. Também poderia reduzir o crescimento da economia.
O estudo calcula um déficit de 19 bilhões de litros de combustíveis fósseis em 2030. Para cobrir a lacuna seria necessário ampliar a capacidade de produção em pelo menos 300 mil barris/dia. O gasto previsto é de R$ 33 bilhões. Para atender exigências da COP-21 o País precisará de R$ 7 bilhões para ampliar a produção de biodiesel e R$ 40 bilhões para elevar a oferta de etanol.
Se nada for feito, será preciso importar combustíveis, o que exigiria gastos em portos, tanques, ferrovias e dutos – de R$ 12 bilhões a R$ 15 bilhões até 2030.
Petrobras
Depois de iniciar a venda de gasodutos e decidir abrir o capital da BR Distribuidora em busca de novos sócios, a Petrobras mira agora o setor de refino, no qual detém 99% da produção de combustíveis como gasolina e diesel.
Um dos cenários discutidos internamente na estatal é a venda de participações acionárias em pelos menos seis das 14 refinarias em operação no Brasil.
A atividade de refino no Brasil se confunde com a própria história da estatal: foi em 1953, ano de sua criação, que ela incorporou a Rlam (Refinaria Landulpho Alves), em Mataripe, na Bahia. A unidade é uma das que podem ganhar um sócio.
No Nordeste, além da Rlam, entraria na lista a Abreu e Lima, em Pernambuco. No Sul, entrariam as refinarias Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul, e Presidente Getúlio Vargas, no Paraná. No Sudeste, seriam a Refinaria de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e a Gabriel Passos, em Minas Gerais.
Juntas, essas unidades têm capacidade para processar por dia cerca de 1,235 milhão de barris de petróleo, cerca de metade da capacidade total, que soma 2,176 milhões de barris diários.
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