Quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de dezembro de 2017
Fotografado ao lado de Jorge Picciani no dia em que o presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro foi preso, o policial federal Plínio Ricciardi achou que nunca seria notado. Nem ele, nem seu irmão, que também é agente e aparece na imagem. Com os mesmos cabelos grisalhos, porte físico e óculos escuros, logo viraram meme: os gêmeos da Federal. O mais inusitado veio em seguida, quando ele recebeu uma ligação do presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) convidando-o para se candidatar a deputado federal no ano que vem, em nome da entidade.
O “gêmeo da Federal” foi alçado a um grupo de 24 policiais federais em 18 Estados que a Fenapef pretende lançar em 2018 para os cargos de deputado estadual, federal e senador. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, a federação prevê que também devam integram o grupo Lucas Valença, o “Hipster da Federal”, e o já deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), escrivão da PF.
“Nunca tinha pensado nisso. Mas se for para ajudar a categoria em alguns projetos, pode ser”, disse Plínio. Na corporação desde 2005, seu projeto político, no entanto, ainda está cru: ele não sabe por qual partido ou quando se lançaria oficialmente. O policial de 41 anos, inclusive, diz que está “meio por fora” da política porque trabalhou durante as eleições de 2014 e 2016 e nem sequer votou.
Dos 24 policiais que a Fenapef quer lançar, até agora só 14 deram certeza que estarão na disputa. No ano passado, foram eleitos 23 delegados para vereadores e prefeitos, em 14 Estados. Foi um salto em comparação com as eleições municipais anteriores, de 2012, quando ainda não havia uma movimentação da federação e apenas nove delegados foram eleitos.
O grande diferencial de 2012 para 2016 foi a Operação Lava-Jato, que manteve a Polícia Federal nas manchetes de jornais e a levou até ao cinema. “Em tese, a gente está se aproveitando do momento”, reconheceu o presidente da Fenapef, Luis Boudens. “Agora a polícia vai resolver a política de dentro. Em várias unidades, temos colegas convidados pela própria população”, disse.
Resolver “a política de dentro”, no caso, significa possivelmente participar de partidos cujos integrantes foram citados, denunciados, conduzidos coercitivamente ou até presos. Não consta na lista o PMDB de Picciani, mas os agentes se distribuem pelas siglas: PSDB, PSC, PRP, SD, PPS, PTB, PSD, PPL, PR, Patriotas e Rede – as duas últimas legendas são as únicas não envolvidas na Lava-Jato.
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