Sábado, 31 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de janeiro de 2018
À espera de uma definição do impasse jurídico que travou sua ida para o Ministério do Trabalho, a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) afirma que “vai lutar até o fim” por seus “direitos políticos e de cidadã”.
Ela disse que “continua firme no propósito” de assumir o comando da pasta. A declaração da deputada acontece no momento em que a bancada do PTB na Câmara dos Deputados começa a pressionar Roberto Jefferson, presidente do partido e pai da parlamentar, a indicar o nome de Alex Canziani (PTB-PR) para o posto se o STF (Supremo Tribunal Federal) não liberar a nomeação de Brasil até a próxima semana.
“Confio que o governo defenderá minha indicação e também no direito do presidente Michel Temer de indicar quem escolher, conforme determina a Constituição. Serei leal ao governo até o fim”, afirmou Cristiane, que vinha mantendo o silêncio diante da polêmica.
Indicada por Temer, ela teve a posse suspensa por decisões da Justiça de primeira e de segunda instância, mas autorizada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Na quarta-feira, a PGR (Procuradoria-Geral da República) se posicionou a favor de que o STF analise os recursos que contestam a nomeação de Brasil para o Ministério do Trabalho. Logo depois, a AGU (Advocacia-Geral da União) se manifestou ao Supremo pela competência do STJ em julgar o caso.
A ministra da AGU, Grace Mendonça, esperou a PGR se posicionar a favor para enviar a manifestação à presidente do STF, Cármen Lúcia. No documento, ela pede que a ministra julgue improcedente a reclamação sobre a posse da deputada.
Influência no ministério
Mesmo impedida, Cristiane exerce forte influência sobre o ministro interino, o advogado carioca Helton Yomura. Apesar de ter sido indicado à secretaria-executiva do ministério pelo pai da deputada, na gestão do ministro Ronaldo Nogueira, é com a parlamentar que o ministro interino tem relações mais estreitas.
Cristiane se aproximou de Yomura na prefeitura do Rio, quando ocupou cargos na gestão do prefeito Eduardo Paes, que governou a cidade de 2009 a 2016. Logo após sua posse, Paes indicou a então vereadora Cristiane Brasil para ocupar a secretaria de Envelhecimento e Qualidade de Vida.
Em julho de 2006, Yomura advogou para Cristiane numa representação do Ministério Público Eleitoral por campanha eleitoral antecipada. O processo foi arquivado em 2015.
Yomura foi assessor do Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Rio de Janeiro (Ipem-RJ) de fevereiro de 2015 até julho de 2016, indicação que também teria sido feita por Cristiane. Foi exonerado para assumir a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio, também indicado pela parlamentar. De lá, seguiu para o Ministério do Trabalho.
O ministro interino é filiado ao PTB desde dezembro de 2014 e aparece na prestação de contas da legenda no uso de verba do Fundo Partidário. Em 2015, o diretório nacional do PTB pagou passagens aéreas de Yomura, do Rio a Brasília, para reunião com lideranças partidárias na capital federal. O gasto está registrado no Tribunal Superior Eleitoral).
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