Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 31 de janeiro de 2018
Em uma possível corrida presidencial sem Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quatro candidatos disputariam uma vaga no segundo turno contra Jair Bolsonaro (PSC), de acordo com a primeira pesquisa do Datafolha após a condenação do petista em segunda instância.
Levantamento realizado na segunda-feira (29) e na terça-feira (30) mostra que o ex-presidente manteve a vantagem sobre os rivais, com até 37% das intenções de voto, caso a sua candidatura seja mantida. Seu eleitorado, porém, se pulveriza e a briga tende a se tornar acirrada caso ele seja barrado com base na Lei da Ficha Limpa.
Bolsonaro aparece em primeiro lugar no principal cenário sem Lula, com 18%. Ele supera Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Luciano Huck (sem partido). Marina lidera o segundo pelotão, com 13%. Ciro (10%), Alckmin (8%) e Huck (8%) estão tecnicamente empatados.
O Datafolha realizou 2.826 entrevistas em 174 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR 05351/2018.
Apesar de liderar a disputa eleitoral sem Lula, Bolsonaro parou de crescer. Ele oscilou negativamente em todos os quadros apresentados na pesquisa na comparação com o levantamento de novembro. As intenções de voto do deputado também ficaram estáveis nas simulações de segundo turno. Ele seria derrotado tanto pelo ex-presidente Lula (49% a 32%) quanto pela ex-senadora Marina Silva (42% a 32%).
A pesquisa indica ainda que o ex-presidente Lula conserva força eleitoral mesmo condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). O petista lidera o primeiro turno em todos os cenários em que seu nome é colocado, com índices que variam de 34% a 37%.
No segundo turno, venceria Alckmin (49% a 30%) e Marina (47% a 32%), além de Bolsonaro. A condenação de Lula pode torná-lo inelegível, mas sua participação na campanha depende de uma decisão do TSE que só deve ocorrer em setembro. Até lá, ele pode se apresentar como pré-candidato e recorrer a tribunais superiores para garantir o seu nome na disputa.
A saída de Lula impulsionaria principalmente Marina e Ciro Gomes. Na comparação de cenários com e sem a participação do ex-presidente, Marina passa de 8% para 13%, enquanto Ciro cresce de 6% para 10%.
Outros candidatos também crescem quando Lula está fora do páreo, mas de forma mais tímida: tanto Alckmin quanto Huck sobem de 6% para 8%. No cenário sem Lula, um dos possíveis candidatos do PT, o ex-governador baiano Jaques Wagner, aparece com 2%. O percentual de eleitores que diz não saber em quem votar ou que votaria em branco ou nulo sobe de 16% para 28% quando o ex-presidente não é um dos candidatos.
Huck reestreou na pesquisa empatado com Alckmin em todos os cenários. O apresentador da TV Globo havia afirmado, em artigo publicado em novembro no jornal Folha de S.Paulo, que não vai disputar a eleição, mas apareceu em janeiro no Domingão do Faustão com um discurso político e continua sendo cortejado por partidos para concorrer ao Planalto.
Favorito para se candidatar à Presidência pelo PSDB, Alckmin patina em todos os cenários do Datafolha. O tucano tem de 6% a 11% das intenções de voto. No segundo turno, o tucano seria derrotado por Lula e aparece tecnicamente empatado em uma disputa com Ciro Gomes. Nesta segunda simulação, quase um terço dos eleitores diz que votaria em branco ou nulo.
A dificuldade enfrentada por Alckmin para subir nas pesquisas provocou questionamentos dentro do seu próprio partido sobre a viabilidade da sua candidatura. Potencial alternativa ao governador no PSDB, o prefeito paulistano João Doria também não decolou: aparece com, no máximo, 5% das intenções de voto.
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