Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de fevereiro de 2018
O ministro da Defesa, Raul Jungmann, esclareceu na noite de sexta-feira (16), que o uso de tropas nas ruas do Rio de Janeiro por conta do decreto de intervenção ainda não está definido e será fruto de avaliação. “Não haverá policiamento ostensivo de saída, nem tanques”, disse. “Pode até ter (tanques), mas depende de um planejamento, momento, necessidade e não será algo assim de saída, amanhã”, esclareceu.
Jungmann participa de reunião no Rio, neste sábado (17), com o presidente Michel Temer e o Comandante Militar do Leste, general Walter Sousa Braga Netto, que foi designado interventor. Jungmann disse ainda que não há definição do efetivo de homens que será colocado à disposição do Estado e que, por ora, o efetivo existente no Rio “é suficiente”.
Durante a coletiva, após a assinatura do decreto, o ministro Sérgio Etchegoyen (GSI – gabinete de Segurança Institucional) disse que o interventor voltava de férias e ainda não podia se pronunciar sobre medidas que tomará no combate à criminalidade no Estado.
Já Jungmann destacou que o carioca Braga Netto conhece com “profundidade” o Rio, onde atuou especialmente na segurança das Olímpiadas 2016. O ministro sinalizou que o trabalho conjunto montado desde então, reforçado com a operação de Garantia da Lei e da Ordem, será reforçado, agora sem interferências dos comandos das polícias Civil e Militar.
Etchegoyen informou que o governo federal avalia “atos administrativos” para expandir o poder das Forças Armadas. “Há uma série de providências que deverão ser tomadas, atos administrativos que permitam um planejamento, de acordo com as competências de cada órgão”, afirmou.
O ministro do GSI também participa da reunião deste sábado no Rio, assim como o governador Luiz Fernando Pezão. O encontro está agendado para o meio dia no Palácio Guanabara, sede do Estado, e Temer deve sair de Brasília por volta das 10 horas.
Interventor
O decreto assinado pelo presidente nomeia o general Walter Souza Braga Netto interventor na segurança pública do Estado do Rio. O texto dá plenos poderes para o general Braga Netto atuar em todo setor de segurança fluminense, ou seja, as polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros Militar. “O objetivo da intervenção é pôr termo a grave comprometimento da ordem pública no Estado do Rio de Janeiro”, diz o decreto.
Braga Netto estará subordinado do presidente da República e terá plenos poderes “para requisitar a quaisquer órgãos, civis e militares, da administração pública federal, os meios necessários para consecução do objetivo da intervenção”.
Além disso, segundo o texto, “exercerá o controle operacional de todos os órgãos estaduais de segurança pública previstos no Art. 144 da Constituição e no Título V da Constituição do Estado do Rio de Janeiro”. O general é comandante militar do Leste desde setembro de 2016 e foi um dos responsáveis pelo plano de segurança para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Durante o evento esportivo, ele atuou como coordenador-geral da Assessoria Especial para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Comando Militar do Leste, que na época era comandado pelo general Fernando Azevedo e Silva.
Braga Netto é mineiro de Belo Horizonte e tem um currículo que inclui o comando do 1º Regimento de Carros de Combate e a chefia do Estado-Maior da 5ª Brigada de Cavalaria Blindada e do Comando Militar do Oeste. No Comando Militar do Leste, o general coordena, controla e executa atividades administrativas e logísticas do Exército Brasileiro em três Estados: Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.
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