Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de fevereiro de 2018
O delegado Cleyber Lopes, da Polícia Federal, pediu na terça-feira (20) ao STF (Supremo Tribunal Federal) a prorrogação, por mais 60 dias, do inquérito em que o presidente Michel Temer é investigado. Caberá ao ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso, analisar o pedido. O inquérito foi aberto em maio do ano passado com base nas delações de Joesley Batista, dono do grupo J&F, e de Ricardo Saud, ex-executivo do grupo.
As investigações apuram o suposto pagamento de propina na edição, por Temer, de um decreto relacionado ao setor de portos. De acordo com as investigações, a empresa Rodrimar, que atua no Porto de Santos (SP), teria sido beneficiada. Temer e a empresa negam a acusação.
Recentemente, peritos da PF (Polícia Federal) sugeriram a Cleyber Lopes que peça a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos investigados, inclusive de Temer. Na semana passada, Joesley Batista e Ricardo Saud prestaram depoimento à PF para dar mais detalhes sobre o caso envolvendo o decreto dos portos.
Joesley, por exemplo, disse que no encontro que teve com Temer em março do ano passado em Brasília fez um gesto de “dinheiro” com os dedos ao perguntar ao presidente se podia tratar de “todos os assuntos” com Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor especial de Temer – Loures ficou conhecido por ter sido flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil da JBS.
Caso Segovia
No último dia 9, o diretor-geral da PF, Fernando Segovia, afirmou em entrevista à Reuters que, no inquérito, não foi encontrado indício de crime cometido por Temer na edição do decreto. Segundo a agência, Segovia também indicou que a PF iria pedir o arquivamento das investigações.
A entrevista causou intensa repercussão, a ponto de delegados da Lava-Jato divulgarem mensagem contra as declarações de Segovia. Além disso, o ministro Luís Roberto Barroso intimou o diretor-geral da PF a dar explicações. Os dois se encontraram na segunda-feira (19) e, segundo despacho de Barroso, Segovia disse ter sido mal interpretado.
Candidatura
Após a intervenção no Rio de Janeiro, a cúpula do Democratas dá como certa a candidatura do presidente Michel Temer (MDB) à reeleição, segundo a coluna Painel, do jornal “Folha de S. Paulo”. De acordo com a publicação, os integrantes da sigla avaliam que, ao se apropriar da pauta da segurança, Temer abraçou parte importante do discurso do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). Na segunda-feira (19), a Câmara aprovou o decreto que autoriza a intervenção federal.
A disposição de Michel Temer em discutir sua reeleição asfixiou os planos do ministro Henrique Meirelles (Fazenda) para disputar a sucessão presidencial em outubro. O chefe da equipe econômica de Temer abriu negociações para se lançar ao Palácio do Planalto pelo MDB como nome do governo, mas a sombra de uma possível candidatura do presidente ameaça interditar esse caminho.
Sem apoio de seu partido, o PSD, Meirelles poderia se filiar à sigla de Temer, mas viu seus prazos se estreitarem – ele precisa deixar o cargo até abril se quiser concorrer às eleições – quando o presidente se convenceu de que não tem nada a perder caso seja ele próprio o candidato que defenderá o legado de seu governo até outubro.
Se há dois meses o ministro discutia mencionar ou não Temer no programa de sua legenda na TV – e acabou por não fazê-lo por medo de ser ainda mais contaminado pela impopularidade do presidente –, hoje Meirelles tem no apoio do Planalto a única alternativa para tentar fazer deslanchar sua candidatura.
O ministro e o presidente patinam nas pesquisas, ambos com entre 1% e 2% das intenções de voto segundo o Datafolha, e viram naufragar o discurso de que a melhora dos índices econômicos seria sentida pela população a partir do início deste ano.
Os comentários estão desativados.