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Brasil Uma entidade projetou o crescimento de 2,2% para a economia do Brasil em 2018

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José Ángel Gurría, secretário geral da OCDE, com o presidente Temer. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) projeta que a economia brasileira crescerá 2,2% em 2018 e 2,4% em 2019. Os dados constam do documento “Relatórios Econômicos OCDE: Brasil 2018”, divulgado nesta quarta-feira (28), pela entidade. O secretário-geral da instituição, Angel Gurría, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, detalham o estudo hoje em Brasília.

O documento avalia que a retomada do crescimento foi iniciada em 2017, após oito trimestres consecutivos de queda. “Espera-se que o crescimento fique mais forte em 2018 e 2019”, aponta o relatório. “Pressupondo a implantação de uma parte substancial dos atuais projetos de reforma, a confiança e as condições de crédito facilitadas darão apoio ao investimento.”

As projeções da entidade para os investimentos são de 2,5% este ano, após registrar 2,5% negativos em 2017, e de 2,7% no ano que vem. O consumo privado deve avançar 3% neste ano e 2,5% no ano que vem e a taxa de desemprego deve recuar dos 12,7% em 2017 para 11,2% em 2018 e 9,4% em 2019.

Essas projeções, no entanto, correm o risco de não se concretizarem se não forem seguidas à risca medidas na área fiscal. “Se o novo teto de gastos não for seguido, uma dinâmica fiscal insustentável poderia reduzir a confiança e disparar a volta da recessão”, alerta.

O documento alerta também para as dificuldades de manutenção do crescimento sem a reforma da Previdência, “sem a qual a regra de gastos não será cumprida no médio prazo”. “Será a prova dos nove para a capacidade das autoridades de implantar mais reformas estruturais.”

Previdência

O diretor de estudos de países e economista-chefe adjunto da OCDE, Álvaro Pereira, fez uma forte defesa da reforma da Previdência no Brasil como maneira de controlar a trajetória da dívida pública. “A reforma tem de ser feita seja agora, daqui a um ano ou depois, mas tem de ser feita”, disse.

“É fundamental que o Brasil faça a reforma da Previdência. Sem a reforma, haverá problema na dívida pública. A reforma previdenciária tem de ser feita e ponto final”, disse o economista português. Pereira sugere que a mudança nas regras da Previdência com adoção de idade mínima ligada à expectativa de vida. “Como chegar lá? É uma questão política, de diálogo”.

Outro desafio, disse o economista, é a baixa produtividade da economia brasileira. No relatório anual sobre o Brasil da organização, o País tem um dos piores indicadores entre todas as economias comparadas. O ambiente de negócio só melhorará com as reformas, disse o economista.

Pereira defendeu que é “importante que a onda de reformas no Brasil não pare por aqui”. “As reformas podem reduzir a pobreza e a desigualdade e aumentar competitividade”, disse, ao citar que há vários outros problemas, como elevado gasto com juros. “O Brasil gasta mais em juros da dívida que em educação ou em saúde. É fundamental reduzir a carga da dívida e dos juros”, disse.

Sem dar detalhes, o economista avaliou como “impressionante” o avanço das reformas estruturais no Brasil nos últimos meses. “O que o Brasil tem feito em reformas nos últimos meses é impressionante. Acompanho 50 países e posso dizer que poucos fizeram o que vocês fizeram”, disse.

Outro elogio foi feito à retomada do crescimento. Para o economista, a retomada da atividade é “cada vez mais saudável” porque tem sido liderada pelas exportações e o aumento do investimento.

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