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Mundo Um partido que nasceu como “uma piada” é favorito nas próximas eleições da Itália

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Legenda foi fundada em 2009 pelo comediante Beppe Grillo. (Foto: Reprodução)

Margherita di Dio, 48, não votou nas últimas eleições. Dona de um bar em Avellino, no Sul da Itália, ela estava desgostosa com a política de sempre, entre a corrupção e a austeridade, e então começou a prestar atenção às conversas do outro lado do balcão: clientes falavam de um certo “Movimento 5 Estrelas”, que se opunha ao sistema político tradicional. O líder, Luigi Di Maio, 31 anos, nascera ali.

Nos últimos anos, a microempresário passou a apoiar a sigla, favorita nas eleições de 4 de março. Pendurou no bar fotos suas com membros da legenda e irá às urnas pela primeira vez em mais de uma década – o voto é facultativo na Itália. “Eles podem fazer coisas novas”, diz. “São jovens e nunca estiveram no poder. Só voto por causa deles.”

Casos como o de Dio, em um país cansado da política tradicional, ajudam a explicar como o 5 Estrelas foi de “radical” a “primeira opção”. Fundada em 2009 pelo comediante Beppe Grillo, a agremiação era vista como mais uma de suas piadas. Agora, já acumula 26,3% da expectativa de voto, segundo a mais recente pesquisa do instituto Termômetro Político.

Individualmente, trata-se do partido mais bem colocado – a aliança de centro-direita o desbanca, mas só quando seus percentuais são somados (chegando a 37,5%). Já o governista Partido Democrático (centro-esquerda) tem 21,3% das intenções.

“É um processo difícil de explicar, como um enigma de diversas respostas”, diz o professor Massimiliano Panarari, que estuda o 5 Estrelas. “Uma de suas vantagens é atrair um voto pós-ideológico baseado na ideia de que são os únicos políticos honestos.”

Diversas de suas propostas são atraentes para um público desiludido com a política, como a de reverter reformas previdenciárias recentes e a de oferecer um salário equivalente a R$ 3 mil a quem precisar (desempregados, por exemplo). Diferente de seus rivais, com eleitorados definidos, o movimento recebe o apoio de diversos segmentos da população e em diferentes regiões.

Há eleitores interessados em desconstruir o sistema político, mas também militantes atraídos por suas propostas ambientais. “São como um camaleão que muda de cor de acordo com a situação política”, afirma Panarari.

O Movimento 5 Estrelas terá de imitar o réptil e se adaptar, também, ao resultado eleitoral. Como não deve ter a maioria necessária para governar sozinho, precisará formar alianças. Uma de suas únicas opções é se unir à Liga (direita ultranacionalista) em uma parceria inédita e imprevisível. Com base neste “quebra-cabeça”, analistas acham pouco provável que, de fato, a sigla governe a Itália nos próximos anos.

Participação

Apesar de ter surgido como uma opção revolucionária em 2009, o 5 Estrelas tem rapidamente se institucionalizado. Governa hoje Roma e Turim e tem 14 eurodeputados, 88 deputados e 35 senadores. Nesse sentido, foi fundamental a decisão de Grillo de se afastar do partido, separando seu blog político do site institucional. Ele pouco apareceu na campanha, e o movimento deixou de lado sua proposta de abandonar o euro.

A passagem do discurso à prática tem se mostrado turbulenta. A prefeita de Roma, Virginia Raggi, é responsabilizada pela imprensa pelo caos administrativo e pelo acúmulo de lixo nas ruas, alimentando a narrativa de que o movimento é inexperiente e, portanto, incapaz.

Já a prefeita de Turim, Chiara Appendino, é investigada por negligência devido ao incidente em que uma mulher foi morta e outras 1,5 mil pessoas ficaram feridas enquanto assistiam a uma partida de futebol – houve uma debandada quando fogos de artifício foram confundidos com explosivos.

Mas o 5 Estrelas parece invulnerável. “Estão imunes a todo ruído vindo da realidade. Como se beneficiam de um voto de opinião, a realidade passa a ser vista como uma campanha eleitoral dos partidos rivais.”

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