Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 2 de março de 2018
O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos em primeira instância da Operação Lava-Jato, cujo nome eventualmente é mencionado por simpatizantes para uma eventual candidatura à Presidência da República, manifestou opinião contrária à disputa de cargos eletivos na política por juízes e promotores.
“Não acho que isso seja uma boa ideia”, declarou nessa sexta-feira o magistrado de 45 anos de idade, em uma conferência em Nova York (Estados Unidos) sobre o combate à corrupção na América Latina. A manifestação foi feita após ser perguntado se funcionários do sistema judiciário devem entrar na vida política para poderem fazer mudanças no sistema.
“Os juízes e promotores que fazem um bom trabalho podem influir na política, mas não disputar cargos eletivos, o que poderia confundir a população, avaliou Moro, falando em inglês para os presentes ao evento, patrocinado pela organização Sociedade das Américas/Conselho das Américas.
Ele também voltou a garantir que a Lava-Jato não é motivada por interesses políticos. “Ninguém está sendo processado por suas opiniões ou ideologias, mas porque pagou ou recebeu propina, lavou dinheiro ou teve uma conduta criminosa específica”, salientou. “São os políticos que cometem crimes os que criminalizaram a política.”
Em três anos e meio, a Lava-Jato revelou um gigantesco esquema de propina de grandes empreiteiras a políticos de todo o espectro político para obter contratos na Petrobras, e levou para a prisão ou ao banco dos réus empresários e políticos de primeira grandeza. A maioria dos processos da força-tarefa em primeira instância está a cargo de Moro, juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), enquanto os de políticos com foro privilegiado estão nas mãos do STF (Supremo Tribunal Federal), em Brasília.
“Caça-Corruptos”
Em 2016, Moro apareceu na revista trimestral “Americas Quarterly” (editada pela entidade) em uma fotomontagem como um dos três personagens da comédia de ação “Ghost Busters” (“Os Caça-Fantasmas”), um dos sucessos do cinema mundial em 1984.
Retratado como um “caçador de corruptos”, ele dividia a imagem-paródia com a procuradora-geral da Guatemala Thelma Aldana e o chefe da comissão antimáfia da ONU (Organização das Nações Unidas) naquele país, o colombiano Iván Velázquez.
Protesto
Do lado de fora do simpósio, em meio a um dia de muito frio, vento e chuva em Nova York, um grupo de manifestantes colou cartazes com a legenda “Lula é inocente” e uma foto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) na fachada da sede do Conselho das Américas. “Justiça partidária é injustiça”, dizia outro cartaz com a foto de Moro.
O líder petista foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro e enfrenta outros seis processos judiciais. Nesta semana, em declarações à imprensa, ele afirmou que todas as acusações foram montadas para “desmoralizar” a sua candidatura ao Palácio do Planalto, e para impedir o retorno do PT ao poder, em uma disputa que ainda nem começou oficialmente mas na qual ele já lidera as pesquisas de intenção de voto.
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