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Brasil Um casal de Santa Catarina é suspeito de aplicar um golpe do aluguel de temporada para sustentar uma vida de luxo

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O golpe foi crescendo a cada temporada. (Foto: Freepik)

Um casal foi preso suspeito de aplicar o golpe do aluguel de temporada. Eles viviam uma vida de luxo, com viagens pelo exterior e muito dinheiro às custas das férias dos outros. Segundo a investigação da Polícia Civil, eles tiraram das vítimas quase 400 mil reais em três anos. “A maioria era empresários, médicos, pessoas que tinham um grande poder aquisitivo. Então, eu não me importava muito”, tenta justificar o suspeito, de 29 anos.

Ele a mulher de 19 anos foram presos semana passada. A polícia também prendeu dois homens donos das contas bancárias envolvidas no esquema. “Essas pessoas estariam envolvidas com esse tipo de golpe há pelo menos três anos, seriam os responsáveis, conforme eles mesmos relataram, pelos anúncios fraudulentos”, explica o delegado André Portella, que investiga o caso.

O casal, que mora no Norte da Ilha em Florianópolis, oferecia na internet aluguel de casas para a temporada na praia de Canasvieiras e dos Ingleses, na capital catarinense, e também em Gramado, na Serra Gaúcha. As casas até existiam, mas não eram deles ou nem estavam para alugar.

O próprio suspeito explica como eles gastavam o dinheiro. “Investimentos, investir em mim mesmo. Viagens, hotéis, comprava coisas, veículos”, afirma. Entre os destinos: “Austrália, Argentina, Peru, Chile, conheço o Brasil inteiro”, diz.

Os registros na polícia mostram vítimas de vários estados e até de outros países. Foram mais de cem famílias. Em um dos casos, uma família de 12 pessoas veio de Campo Grande (MS) até Florianópolis, alugou uma casa para virada do ano através de um anúncio postado pelo casal. Viajaram 18 horas para descobrir que era um golpe.

“Quando chegamos na casa e saiu um senhor. A gente falou que tinha alugado aquela casa. Ele falou: ‘não, eu que tô aqui na casa, já aluguei pela imobiliária’. Eu falei, ‘mas aluguei direto com o proprietário, como assim?’ Fomos enganados. Aí deu aquele desespero todo, aquele monte de gente com criança, chuva, frio. As crianças com fome já chorando”, diz a vítima do golpe.

Eles precisaram alugar outra casa para tentar aproveitar a folga no litoral catarinense. “A gente deixou de fazer outro passeio, deixou de comer algumas coisas que podia comer porque, infelizmente, a gente perdeu a metade do dinheiro e teve que tirar na parte do passeio, da arte da diversão”, relembra.

Segundo o dono de uma das casas anunciadas pelos golpistas, pelo menos 14 famílias já bateram na porta dele.

“Teve gente de Iraí (RS), Cascavel (PR), Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Cuiabá, Brasília. Acho que o cara de Brasília era delegado da Polícia Federal. Ele veio de Brasília, acabou embarcando para Curitiba porque não tinha voo para Florianópolis, alugou um carro em Curitiba e desceu de carro. Aí descobriu que era golpe”, afirma o morador.

O golpe foi crescendo a cada temporada. “Como eu estava sempre trabalhando com clientes, era muita gente, então tinha que ter mais alguém para dar assistência”, explica o suspeito.

Com, isso, a mulher começou a ficar responsável por escrever os falsos contratos de locação fornecidos às vítimas enquanto ele aliciava pessoas que cediam as contas bancárias e montava os anúncios.

“Ela relatou que antes de aplicar golpes de locações fraudulentas de imóveis, ela se dedicava a prática de falsa vendas de celulares. O golpe era semelhante, só que invés de tentar alugar imóveis, ela vendia celulares”, informou o delegado.

O casal e os dois homens presos devem responder por estelionato e lavagem de dinheiro e podem pegar mais de 15 anos de prisão.

“O maior prejuízo não é o patrimonial sofrido pelas vítimas, mas sim o prejuízo moral de se ver desalojado aqui com sua família no verão tendo pretendido passar o verão em um local diferenciado como o norte da ilha de Florianópolis”, afirma o delegado André Portella.

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