Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de março de 2018
Um grupo de relatores de direitos humanos das Nações Unidas classificou na segunda-feira (26) de “muito alarmante” o assassinato da vereadora Marielle Franco no último dia 14 no Rio de Janeiro. Em comunicado, os relatores independentes também dizem que sua morte teve o objetivo “de intimidar todos aqueles que lutam pelos direitos humanos” no Brasil.
“Sua morte é alarmante já que claramente visa intimidar todos aqueles que lutam pelos direitos humanos e pelo Estado de Direito no Brasil”, dizem os especialistas.
“Pedimos às autoridades brasileiras que usem esse momento trágico para rever completamente suas escolhas na promoção da segurança pública e, particularmente, para intensificar substancialmente a proteção dos defensores dos direitos humanos”, acrescentam.
O comunicado dos relatores da ONU destaca que a ativista era “mulher e negra e uma preeminente defensora de direitos humanos” e que foi assassinada precisamente quando voltava de um evento intitulado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”.
O texto lembra que Marielle era membro da comissão que iria verificar a intervenção das Forças Armadas no Rio de Janeiro, e que poucos dias antes de sua morte, a vereadora fez denúncias sobre o abuso policial em Acari.
“Franco era uma notável defensora dos direitos humanos. Ela defendia os direitos de afrodescendentes, LGBTI, mulheres e jovens que moram nas favelas mais pobres do Rio. Ela será lembrada como um símbolo da resistência de comunidades historicamente marginalizadas no Brasil”, afirmam.
Mortes na Rocinha
O especialistas ainda denunciam as mortes de oito pessoas em confronto com a Polícia Militar no sábado na Rocinha.
Segundo a PM, os policiais do Batalhão de Choque faziam patrulhamento quando foram recebidos por tiros e reagiram. Nos depoimentos na DH, os PMs disseram que faziam o combate ao tráfico de drogas. As famílias dos mortos dão outra versão. Disseram que a polícia invadiu um baile funk na comunidade e, segundo testemunhas, chegou atirando.
“A segurança pública não deve nunca ser feita às custas dos direitos humanos. Respostas repressivas que marginalizam as pessoas pobres e negras são inaceitáveis e contra-produtivas”, afirmam.
“Pedimos às autoridades que ponham fim à violência, reafirmem publicamente o papel fundamental e legítimo das mulheres defensoras de direitos humanos e condenem a violência e a discriminação que são promovidas contra elas”, aponta o grupo.
Marielle Franco
A vereadora Marielle Franco foi morta a tiros dentro de um carro na Rua Joaquim Palhares, no bairro do Estácio, na Região Central do Rio, por volta das 21h30min do dia 14 de março. Além da vereadora, o motorista do veículo, Anderson Pedro Gomes, também foi baleado e morreu. Uma outra passageira, assessora de Marielle, foi atingida por estilhaços. A principal linha de investigação da Delegacia de Homicídios é execução.
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