Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de março de 2018
O delegado Wilkinson Arruda, responsável pela abertura da investigação dos tiros contra dois ônibus da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse que “não se submete e nem cede a pressões de qualquer natureza”. Em nota à imprensa, ele negou que tenha sido afastado do caso e garantiu não ter sofrido retaliação, além de confirmar que foi acompanhado por Hélder Lauria, delegado titular de Laranjeiras do Sul (PR).
Arruda, que era o delegado plantonista no momento do incidente, ressaltou que “não recebeu qualquer ligação de membros do governo do Estado do Paraná sobre o caso em questão” e que jamais permitirá interferências políticas, “de quem quer que seja”, no exercício de suas atribuições: “Isso, sim, seria um atentado à ordem jurídica em vigor e à função de delegado”.
Na tarde de terça-feira, dois veículos da comitiva petista que desde o dia 19 circula pelos Estados do Sul receberam três disparos, além de terem pneus furados por ganchos pontiagudos de metal, conhecidos popularmente como “miguelitos”, em uma estrada por onde a caravana passou.
O ônibus que transportava parte da imprensa que acompanha a viagem apresentou duas perfurações a bala do lado direito da carroceria e uma no esquerdo. Além disso, um dos vidros foi atingido por objeto que deixou uma marca arredondada. O ex-presidente estava em um terceiro veículo, não atingido. Ninguém ficou ferido.
Arruda relata que tem sofrido críticas por ter tratado de forma grave o incidente. “Efetuar disparos de arma de fogo em direção a um veículo é, na opinião jurídica e fundamentada desta autoridade policial, tentativa de homicídio, o que não impede, com o avançar das investigações, um novo enquadramento legal”, declarou no comunicado.
“Não há precipitação alguma em concluir o óbvio: que se há disparo de arma de fogo em direção a diversas pessoas em um ônibus, isso será considerado, em um primeiro momento, tentativa de homicídio, aqui e em qualquer lugar do mundo, embora se respeite opiniões diversas, desde que juridicamente fundamentadas”, acrescentou.
Suspeitas
Na noite de terça-feira, Arruda avaliou que havia pelo menos dois indivíduos envolvidos no ataque, já que os tiros vieram de direções opostas. Ainda não se sabe quem seriam os responsáveis pelo ataque. “Infelizmente, o número de peritos era muito pequeno e a sobrecarga do Instituto de Criminalística é muito grande, assim como de toda a polícia”, lamentou. Em seu comunicado, ele aproveitou para criticar a falta de efetivo da polícia na região.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná, a organização da caravana do ex-presidente Lula não pediu formalmente uma escolta. Em comunicado enviado à imprensa nessa quarta-feira, o órgão também pontuou que houve alteração no roteiro e no cronograma da comitiva informados anteriormente às forças de segurança do Estado: “Não houve qualquer pedido formal de escolta à caravana ao próprio ex-presidente, embora ele tenha essa prerrogativa. Tanto que o paradeiro dele é incerto e não sabido”.
O PT, porém, garante que autoridades estaduais e federais foram acionadas em pedidos por segurança ao grupo. A equipe do líder petista também voltou a reforçar que, de todos os 15 Estados já percorridos nas quatro caravanas do petista, só não houve escolta no Paraná: “O pedido foi feito repetidas vezes, tanto pelo PT quanto pela caravana”.
O governo paranaense, por sua vez, reiterou que “a PM reforçou o policiamento em todos os locais indicados pelos representantes da comitiva onde seriam realizadas manifestações com a presença do ex-presidente Lula”. A Secretaria apontou que um inquérito policial foi aberto para apurar a ocorrência e que equipes da unidade de elite da Polícia Civil do Paraná ajudam nas investigações. Nos próximos dias, o Instituto de Criminalística do Estado deve apresentar um laudo de perícia no ônibus.
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