Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de março de 2018
Depois de se reunir com o presidente Michel Temer no Palácio do Planalto, na tarde desta quinta-feira, o ministro Carlos Marun, da Secretaria de Governo, chamou de “conspiração” e “complô” as prisões de amigos de Temer, ligados à investigação sobre o decreto dos portos. Marun, que vem sendo escalado como porta-voz do governo, atribuiu indiretamente o suposto complô ao ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), relator do caso na Corte, e disse que foi o anúncio de Temer sobre a possibilidade de ser candidato que fez com que se virassem contra ele “canhões da conspiração”. Ao contrário do clima de velório que tomou conta de aliados do presidente, o ministro disse que encontrou o presidente “absolutamente tranquilo”.
“Nós entendemos que a decisão do presidente de colocar a possibilidade de que venha a disputar a reeleição, colocar como concreta essa possibilidade, faz com que novamente se dirijam contra nós os canhões da conspiração”, afirmou.
O ministro criticou ainda as prisões temporárias cumpridas hoje, véspera do feriado de Páscoa, e disse ter “absoluta desconfiança” dos métodos utilizados, além de afirmar que não houve no decreto qualquer benefício à empresa Rodrimar. A fala do ministro ocorreu quando perguntado especificamente sobre o ministro Barroso: “Sinceramente, entendo que isso faz parte sim de um enredo, de um complô, tenho absoluta desconfiança em relação a prisões que acontecem em véspera de feriado, porque véspera de feriado não é hora de fazer prisão temporária”.
Marun negou que os novos fatos inviabilizem a candidatura de Temer, que afirmou em entrevista recente que seria “covardia” não disputar a reeleição, e também afastou a possibilidade de que surja uma terceira denúncia contra o presidente, fantasma que ronda o Palácio do Planalto. Ele disse ainda que não está no radar qualquer ofensiva jurídica da parte do presidente Michel Temer.
“É absolutamente claro que o presidente não pode ser denunciado por fatos anteriores ao seu governo. Se existe respeito à Constituição Federal nesse país, e entendemos que ainda deva existir, o presidente não será denunciado”, defendeu.
Apesar das críticas ao ministro Barroso, Marun analisou de forma mais leve a participação na história da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que pediu a prisão temporária dos amigos de Temer: disse que o Ministério Público tem como função precípua o “papel acusatório” e que não vê na procuradora nenhum “viés” como via no antigo procurador-geral, Rodrigo Janot.
“É o DNA do Ministério Público, é o viés acusatório. Ela (Dodge) atuou e não vejo na procuradora Raquel aquele mesmo viés, não vejo alguém de dentro do gabinete da procuradora Raquel recebendo para orientar gravações.”
Em mais um ataque ao Judiciário, o ministro voltou a dizer que não acredita em coincidências e que os novos fatos são “flechas envenenadas” contra Temer.
“Sempre que o Brasil dá uma reagida, surgem flechas envenenadas dirigidas ao presidente Temer.”
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