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Brasil A prisão de amigos de Michel Temer deixou ministros e assessores preocupados

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O emedebista também poderá ficar "refém" de aliados no Legislativo. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A prisão de amigos do presidente Michel Temer, investigados no inquérito que apura irregularidades no decreto presidencial sobre o setor portuário, deixou preocupados ministros e assessores do presidente. Alguns já dão como certa a possibilidade de ser aberta uma terceira denúncia contra Temer.

A avaliação de aliados é que a bomba que caiu sobre o Palácio do Planalto na manhã da última quinta-feira inviabiliza não só a candidatura de Temer a um segundo mandato (em entrevista recente, ele afirmou que seria “covardia” não participar da disputa), como também fragiliza o presidente junto ao Congresso na reta final da reforma ministerial.

De acordo com aliados de emedebista, a tendência é de que agora os partidos da base aliada cobrem mais caro pelo apoio ao governo, mesmo sem haver ainda uma terceira denúncia, que se traduzirá em maior apetite por cargos e pedido de liberação de emendas em ano eleitoral.

Mesmo assim, avaliam não haver qualquer garantia de que os parlamentares que dão sustentação ao governo estarão dispostos a defender Temer e o governo, já que isso tem alto potencial de prejudicá-los em ano eleitoral.

Se o governo já ficaria em segundo plano em 2018 por conta do cenário eleitoral, os novos fatos deixam a administração Temer “completamente paralisada”.

“O jogo eleitoral já começa com um perdedor, que é o governo. O Temer obviamente fica fragilizado para concorrer e o governo entra em paralisia completa. Além disso, enfrentar uma terceira denúncia em ano eleitoral vai ser perigosíssimo”, avaliou um dos aliados próximos ao chefe do Executivo.

Outra avaliação do Planalto é que o cenário sem Temer no páreo eleitoral, o que já está praticamente consolidado, fortalece o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que vai se filiar ao MDB no início da semana que vem e quer ser o cabeça de chapa para presidente. Apesar de sair na frente, assessores palacianos afirmam que Meirelles também ficará em situação complicada: terá que defender o legado do governo e, caso de fato seja o candidato apoiado pelo Planalto, não conseguirá se descolar de Temer.

“Meirelles se fortalece para ser o candidato, mas ele terá que enfrentar o ônus e o bônus dessa escolha: vai defender o legado do governo, mas são os feitos do governo Temer, um presidente de quem o ministro não vai conseguir se livrar”, avaliou um auxiliar presidencial.

Reunião no Jaburu

Na manhã de quinta-feira, logo que vieram as primeiras notícias das prisões de amigos do presidente, ministros do chamado “núcleo duro” do governo se reuniram com Michel Temer no Palácio do Jaburu, em Brasília. Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria Geral), Torquato Jardim (Justiça) e Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional) tentavam entender as mudanças no cenário e o quanto isso atingia o presidente.

Conforme relatos de fontes do primeiro escalão federal, o que se viu naquele momento foi um presidente da República calado e ministros abatidos. “Temer estava silencioso, mais ouvindo do que falando, sem demonstrar tanto abatimento quanto alguns de seus ministros”, contou um interlocutor presente na ocasião. “O momento é de preocupação total.”

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