Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 31 de março de 2018
A vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, voltou neste sábado (31) para a região de Mingora, no noroeste do Paquistão. É a primeira visita da ativista à sua cidade natal desde 2012 – quando um grupo de talibãs disparou em sua cabeça por conta de sua defesa da educação feminina.
“Ela permaneceu algum tempo na sua antiga casa com seus pais e seu irmão”, disse à Agência Efe, uma fonte da polícia que pediu para não ser identificada. A ativista chegou pela manhã em um helicóptero militar ao lado de seus pais e irmão à cidade do vale de Suat. Um forte esquema de segurança foi montado e muitas ruas permanecem fechadas por soldados do Exército, informou à Efe uma fonte militar, que também manteve o anonimato.
“Eu parti do Swat com os olhos fechados e agora volto com eles abertos”. Foi o que disse a jovem ativista paquistanesa Malala Yosafzai, que, emocionada, visitou pela primeira vez a sua cidade-natal em cinco anos. Ela deixara Mingora, no vale do Swat, após ter sofrido um atentado terrorista do Talibã por causa da sua luta pela educação de meninas. O ataque quase custou a sua vida e a converteu num símbolo mundial.
“Me sinto muito feliz. Meu sonho se realizou”, disse Malala, enquanto visitava um colégio para crianças em Guli Bagh, a cerca de 15 quilômetros de Mingora. “A paz voltou ao Swat graças aos imensos sacrifícios dos meus irmãos e irmãs”. A visita durou cerca de duas horas. A jovem, hoje com 20 anos, estava acompanhada dos seus pais e dos seus dois irmãos. Ela chegou à cidade em um helicóptero militar procedente de Islamabad e, ao desembarcar, foi acolhida por amigos e conhecidos.
Na quinta-feira (29), ela havia chegado à capital paquistanesa para uma visita de quatro dias ao país, sob forte segurança. Ela foi recebida pelo primeiro-ministro Shahid Khaqan Abasi. Foi a primeira vez em que pisou em solo paquistanês desde 2012.
Mingora é a cidade onde Malala vivia até 9 de outubro daquele ano. Foi quando combatentes do Talibã interromperam o trajeto de um ônibus escolar que a levava de volta para casa depois de um dia de aulas. Um deles entrou e perguntou: “Quem é Malala?” antes de disparar um tiro contra a sua cabeça.
As autoridades paquistanesas, acusas de não combater com afinco as raízes do extremismo no países, costumam citar o Swat como exemplo de sucesso na luta contra o Taibã e os grupos aliados à al-Qaeda. Recentemente, a região foi declarada suficientemente segura para a volta do turismo.
Em 2007, os talibãs paquistaneses tomaram o controle do Swat e multiplicaram a violência, as decapitações e os ataques aos colégios para meninas. Com apenas 11 anos, Malala tinha um blog na página da BBC, no qual escrevia em urdú, a língua nacional do Paquistão. Lá, usava o pseudônimo Gul Makai para descrever o pânico que reinava no vale sob o julgo dos extremistas.
Os talibãs, que foram expulsos da região pelo Exército em 2009, a acusaram de veícular propaganda ocidental e decidiram matá-la. A adolescente ficou gravemente ferida depois do ataque que sofreu três anos depois e foi atendida num hospital militar local antes de ser levada para Birmingham, no Reino Unido. Hoje, ela estuda economia, filosofia e ciências políticas na Universidade de Oxford.
Com o tempo, ela se converteu em símbolo mundial da luta contra o extremista e pelo direito das mulheres à educação. Junto com o indiano Kailash Satyarthi, ela recebeu o Nobel da Paz de 2014. Aclamada pelo Ocidente, no seu país a jovem pode ser um personagem polêmico, já que alguns a consideram “uma agente estrangeira” manipulada para prejudicar o Paquistão.
Além dos círculos islamistas radicais opostos à emancipação feminina, Malala é também alvo de críticas de parte da classe média, que a acusa de manchar a imagem do país. Para Malala, a volta para casa é um sonho. Ela promete voltar ao país quando terminar os estudos universitários no Reino Unido.
“Meu plano é voltar ao Paquistão quando terminar os estudos, porque é o meu país e tenho os mesmos direitos nele do que qualquer paquistanês”, disse ela na visita deste sábado, na qual, sobre a educação das meninas no vale do Swat, elogiou as mudanças importantes realizadas desde a sua partida: “A situação melhorou muito. Mas li que quase a metade dos meninos continuam sem escolarização na província. Temos que trabalhar muito duro para que todos vão à escola”.
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