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Brasil “Difícil de engolir essa”, disse um ex-procurador sobre o parecer que tirou o ex-governador Geraldo Alckmin da Operação Lava-Jato

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Alckmin foi citado por delatores da Odebrecht. (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot voltou ao twitter para comentar o panorama político do País. Ele manifestou indignação com a decisão da ministra Nancy Andrighi, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), de aceitar o pedido do vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, de enviar o inquérito que investiga o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) por suspeitas de caixa 2 para a Justiça Eleitoral de São Paulo. “Tecnicamente difícil de engolir essa”, afirmou Janot.

A decisão livra Alckmin da Operação Lava-Jato após ele perder o foro privilegiado a que tinha direito por ser governador. Ele deixou o cargo na sexta-feira (6), para disputar a Presidência da República.

Os delatores da Odebrecht Benedicto Barbosa Junior, Carlos Armando Paschoal e Arnaldo Cumplido citaram suposto repasse de recursos a Alckmin a título de ‘contribuição eleitoral’.

As doações não contabilizadas teriam contado com a participação do cunhado do pré-candidato a presidente, Adhemar Cesar Ribeiro, também investigado no inquérito.

O vice-procurador-geral da República encaminhou ofício destacando que a apuração sobre o ex-governador de São Paulo “não tem como procuradores naturais” o grupo.

Mariz Maia ainda disse que não foi informado sobre a alegada urgência no encaminhamento das investigações e ressaltou que não lhe parece “cabível falar em encaminhamento à força-tarefa de feitos judiciais”. Ele sugere que os procuradores, se for o caso, “solicitem o compartilhamento de provas” ao juízo competente do caso.

Pedido

A força-tarefa da Lava-Jato em São Paulo havia pedido ao vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, que remetesse “o mais rápido possível” o inquérito sobre Alckmin. O argumento dos procuradores era que a investigação envolvendo o ex-governador tucano auxiliaria no “andamento avançado de outras apurações correlatas”.

Alckmin – pré-candidato tucano à Presidência – foi citado por delatores da Odebrecht como beneficiário de recursos para campanha eleitoral. A investigação agora passa a ter caráter de crime eleitoral e não mais de crime comum.

Ao remeter os autos da investigação à Justiça Eleitoral, Nancy Andrighi atendeu ao pedido de Mariz Maia. O inquérito tramitava no STJ em razão da prerrogativa de foro que o tucano detinha como governador. Ao deixar o Palácio dos Bandeirantes, ele perdeu o foro privilegiado.

Defesa

A defesa do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou, na quarta-feira (11), ver “açodamento” na ofensiva da força-tarefa da Lava-Jato em São Paulo, que pediu – “o mais rápido possível” – que o inquérito contra o tucano deixe a Procuradoria-Geral da República e seja deslocado para competência dos procuradores federais em São Paulo.

O advogado José Eduardo Alckmin, que defende o ex-governador, diz que se “surpreendeu com a notícia do açodamento de setores do Ministério Público Federal, já que o processo está tramitando normalmente e será remetido, em termo oportuno, para instância competente”.

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