Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 12 de abril de 2018
A empresa brasileira Embraer admitiu, pela primeira vez, que deverá deixar de fora os seus setores de defesa e aviação executiva na negociação com a fabricante de aeronaves norte-americana Boeing. As informações constam em um comunicado divulgado na noite dessa quinta-feira na CMV (Comissão de Valores Mobiliários).
“A Embraer e a Boeing Company, em conjunto com o grupo de trabalho [responsável pelas tratativas], ainda estão analisando possibilidades de viabilização de uma combinação de seus negócios, que poderão eventualmente incluir a criação de outras sociedades com participação conjunta na área de aviação comercial, deixando por outro lado separadas as demais atividades notadamente aquelas vinculadas à área de defesa e, possivelmente, também a área de aviação executiva, que permaneceriam exclusivamente com a Embraer”, frisou o texto.
O comunicado foi enviado à CVM em resposta a questionamentos feitos pela B3, a bolsa de valores brasileira, sobre informações publicadas pela imprensa paulista a respeito de que a Boeing teria feito uma nova proposta pela empresa.
Ao todo, a fabricante brasileira fundada em 1969 tem cinco áreas de negócio. O rol abrange serviços aeronáuticos e as aviações comercial, executiva, militar e agrícola. Os três primeiros são os mais relevantes para a empresa em termos de receita, enquanto aviação agrícola e serviços ainda são negócios menores.
A aviação comercial é o principal segmento da empresa, respondendo por 58% das receitas da empresa no ano passado. Esse segmento está em um momento de consolidação global e as duas empresas têm portfólios complementares.
Prosseguimento dos negócios
A Embraer negou que o negócio já tenha sido apresentado formalmente entre as empresas e também ao governo brasileiro, que é dono de uma ação da empresa que pode vetar o negócio. A fabricante brasileira argumenta, porém, que as negociações estão em curso e que não há garantia de que o negócio será fechado.
“Neste contexto, têm sido elaborados materiais de apoio para discussão, sem cunho vinculativo, que não foram submetidos ainda a qualquer aprovação formal das partes ou do governo brasileiro”, completou a empresa.
Presença global e concorrência
A Embraer é líder global em jatos para aviação regional, com até 130 assentos. Enquanto isso, a Boeing conta como status de uma das principais fabricantes de jatos para aviação de longa distância.
No ano passado, confirmou publicamente a existência de um estudo para a união de seus negócios com os da companhia norte-americana. Essa fusão pode criar uma gigante global de aviação, com forte atuação nos segmentos de longa distância e aviação regional, além de capacidade para fazer frente a uma possível união entre as concorrentes Airbus (França) e Bombardier (Canadá), em moldes similares.
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