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Mundo O Paraguai escolhe neste domingo o seu presidente, um novo Congresso e 17 governadores

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Mario Abdo Benitez e Efraín Alegre são os favoritos. (Foto: Reprodução)

O Paraguai se prepara para ir às urnas neste domingo (22) para eleger seu presidente para os próximos cinco anos, com o candidato de direita, Mario Abdo Benítez, do governista Partido Colorado, como favorito nas pesquisas, apesar dos vínculos de sua família com o ex-ditador Alfredo Stroessner.

“Marito”, como é conhecido popularmente, enfrentará o candidato liberal Efraín Alegre, apoiado por uma coalizão de centro-esquerda da qual participa o ex-bispo e ex-presidente (2008-2012) Fernando Lugo.

Há ainda outros oito candidatos, mas estão muito atrás nas pesquisas.

As eleições, para as quais estão convocados 4,2 milhões de cidadãos (em 7 milhões de habitantes) serão supervisionadas por missões de observação da União Europeia e da Organização dos Estados Americanos.

A votação terá apenas um turno. As urnas abrem às 7h (8h de Brasília) e fecham às 16h (17h em Brasília).

Além do presidente, os paraguaios elegerão um novo Congresso e governadores para os 17 departamentos em que o país se encontra dividido.

Veja o perfil dos dois principais competidores:

Mario Abdo Benítez

Marcado por ser de uma família muito próxima do ex-ditador Alfredo Stroessner, o candidato do partido governista à presidência do Paraguai, Mario Abdo Benitez, do partido Colorado, se esforça para provar suas credenciais democráticas e republicanas.

Com 46 anos, graduado em marketing nos Estados Unidos, “Marito” é favorito segundo as pesquisas, com até 20 pontos de vantagem sobre o candidato liberal Efraín Alegre, da coalizão de centro-esquerda Alianza Ganar.

Seu pai foi secretário particular de Stroessner. Entre eles havia um parentesco por parte das avós.

“Lamento a parte negra da nossa história, mas, como muitos paraguaios, acho que não deve ser uma desculpa para manter uma divisão entre compatriotas. Eu tinha 16 anos quando Stroessner caiu”, afirma.

Mas esse passado foi deixado de fora de sua carreira política e da campanha eleitoral.

Divorciado de Fátima María Díaz Benza, com quem teve dois filhos, Abdo se casou novamente com Silvana López Moreira Bo, filha de uma família da alta sociedade de Assunção.

Tem apenas uma irmã e sete meio-irmãos.

Afirma ter construído uma identidade própria, apesar de sua origem, tendo sido criado como um pequeno príncipe. Seu pai foi processado por enriquecimento ilícito. Foi um dos primeiros prisioneiros da democracia que se instalou após a queda de Stroessner, mas finalmente foi absolvido.

Juntou-se à militância política dentro do movimento Paz e Progresso, o lema do governo da ditadura.

Em 2013, foi eleito senador e depois presidente do Congresso em 2015, ano que marcou o ponto de virada e o ponto de ruptura de suas relações com o presidente Cartes.

Na crise de março de 2017, os opositores reagiram com violência e incendiaram uma parte do Congresso em protesto contra a pretensão do presidente Cartes de aprovar uma emenda que o qualificaria para a reeleição.

“Estava na praça, defendi nosso sistema republicano”, diz ele, com convicção.

“Gostaria de poder mostrar às pessoas que sou Marito do século 21. Quero mostrar que meu compromisso é com o futuro do Paraguai”, observa.

Efraín Alegre

Advogado e militante do partido Liberal desde muito jovem, o candidato da oposição à presidência do Paraguai, Efraín Alegre, 55 anos, deseja romper a hegemonia do Partido Colorado graças a uma coalizão de centro-esquerda.

Católico praticante, contrário ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, em contradição com vários partidos que o apoiam na Aliança Ganhar, Efraín Alegre disputa a eleição pela segunda vez em cinco anos.

Em 2013 ele foi derrotado pelo atual presidente, o empresário milionário Horacio Cartes, em uma disputa na qual seu partido não estabeleceu alianças.

Filho de um latifundiário e comerciante do Departamento de Misiones (sudeste do Paraguai), Alegre é o oitavo de 12 irmãos. Tem quatro filhos e é casado com Mirian Irún há 26 anos.

Entrou para a política no início da redemocratização, ao final da ditadura do general Alfredo Stroessner (1954-89), contra a qual Alegre lutou em sua juventude.

“Para mim, estudar direito significava uma rebeldia juvenil e me pareceu que era um instrumento importante para lutar contra a ditadura”, afirmou o candidato opositor à AFP. Ele explica desta maneira sua pouca dedicação à profissão de advogado, para concentrar suas atividades na política, com 15 anos como parlamentar.

Ele é irônico ao comentar que no ano passado se casou pela segunda vez. “Na realidade, reafirmei meu compromisso matrimonial”, afirma, ao comentar a celebração das Bodas de Prata.

Alegre também destaca suas habilidades na cozinha quando o assunto é carne e pescado.

Efraín Alegre propõe reduzir ao mínimo as tarifas de energia elétrica e a oferta de saúde gratuita para os necessitados, o que levou Abdo Benítez a chamá-lo de populista.

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