Sexta-feira, 17 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 2 de maio de 2018
A luta contra a obesidade é sempre muito difícil e exige dedicação. Entretanto, pesquisas médicas recentes divulgadas pelo documentário da BBC The Truth About Obesity (A Verdade Sobre a Obesidade, em tradução livre) indicam que a força de vontade não é o suficiente para garantir bons resultados. Há outros fatores, como a genética, hormônios, rotina, microbioma e efeito visual.
Confira a lista dos cinco fatores, apontados por especialistas, que podem interferir na luta contra o ganho de peso.
1. Loteria genética
De acordo com pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, os genes de um indivíduo exercem uma influência de 40% a 70% sobre o peso. Por isso algumas pessoas seguem dietas rigorosas e se exercitam regularmente, mas têm dificuldades para perder peso, enquanto outras, que se alimentam mal e são sedentárias, continuam magras.
“É uma loteria. Os genes estão envolvidos na regulação do peso e, se você tem uma falha em alguns genes, isso pode ser suficiente para estimular a obesidade”, comentou Sadaf Farooqi, médica e pesquisadora de Cambridge.
A ciência aponta para a existência de cerca de 100 genes capazes de afetar o peso, entre eles está o MC4R. Quando sofre mutação, esse gene interfere na fome das pessoas, fazendo com que sintam vontade de ingerir comidas mais gordurosas. Estima-se que uma em cada 1 000 pessoas tenha essa mutação no MC4R.
2. Hormônios da fome
Além dos genes, outro fator que controla o apetite são os hormônios, cuja produção pode ser afetada por diversos agentes. Alguns dos tratamentos utilizados em casos extremos de obesidade têm sua eficácia associada ao controle desses hormônios, como é o caso da cirurgia bariátrica, que não apenas reduzir o tamanho do estômago do paciente, mas aumenta a produção dos hormônios da saciedade e reduz a de hormônios causadores da fome. No entanto, por ser uma operação arriscada, ela é recomendada apenas para casos graves de obesidade.
3. Rotina alimentar
Segundo James Brown, especialista em obesidade, quanto mais tarde uma pessoa come, maior é a probabilidade de que haja ganho de peso. Mas ele garante que não é o fato de estarmos menos ativos à noite que causa esse efeito, e sim o relógio biológico.
Durante a noite, o corpo tem maior dificuldade para digerir gorduras e açúcares.”O corpo humano está programado de forma que manejamos com maior eficiência as calorias durante o dia, quando há luz, do que à noite, quando está escuro”, explica o médico.
Para Brown, o aumento nos níveis de obesidade no Reino Unido está relacionada a mudança na hora do jantar: na última década, a média do horário passou das 17h para às 20h. Por isso, jantar mais cedo pode ajudar na luta contra o peso.
4. Microbioma
De acordo com a ciência, há mais células de bactérias, fungos e vírus presentes em nosso organismo do que células humanas. Alguns desses micro-organismos exercem papeis importantes na vida e na saúde dos indivíduos, especialmente no peso, já que a maior parte deles está localizada no sistema digestivo.
“Quanto maior a diversidade de micro-organismos, mais magra é a pessoa. Se você tem sobrepeso, seus micróbios não são tão diversos como deveriam ser”, explica Tim Spector, epidemiologista do King’s College, também na Inglaterra.
A diversidade de micro-organismos no corpo humano pode ser afetada por diversas fatores: o tipo de parto, os antibióticos usados durante a vida e o meio ambiente, mas a maior parte vem – e se prolifera – pela alimentação. Uma dieta rica em fibras, por exemplo, ajuda o microbioma intestinal a se desenvolver de maneira saudável.
5. O efeito visual
Segundo o pesquisador britânico Hugo Harper, especialista em comportamento, eliminar as tentações visuais é um caminho para cortar calorias. A estratégia é não ter alimentos pouco saudáveis em casa, no ambiente de trabalho ou na bolsa. Frutas e alimentos leves são os itens recomendados para se ter por perto quando a fome bate.
Harper comentou ainda que as pessoas tem tendência a comer sem pensar, por isso, é aconselhável evitar o hábito de comer alimentos pouco saudáveis.
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