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Mundo Donald Trump tirou os Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã. Entenda a posição dos principais protagonistas

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Além dos líderes americano (E) e iraniano (D), divergência sobre acordo nuclear envolve também europeus, israelense e saudita. (Foto: Reprodução)

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (8) que decidiu abandonar o acordo nuclear firmado com o Irã, retomando as sanções contra o país. Trata-se de uma das mais contundentes decisões de política externa do americano em seus 15 meses de governo. A decisão americana de retirar os EUA do acordo foi influenciada por dois não signatários do acordo: Israel e Arábia Saudita. Entenda a posição dos protagonistas dessa queda de braço.

Trump

O presidente americano vinha dizendo desde a campanha que iria retirar os Estados Unidos do acordo assinado por seu antecessor, Barack Obama, que chamou de “insano” e “ridículo”. No Plano de Ação Conjunta Abrangente, o Irã aceitou reduzir a escala do seu programa nuclear, de modo a garantir que não produzirá armas atômicas, em troca da suspensão das sanções impostas ao país pelos Estados Unidos, a União Europeia e a ONU. No entanto, Trump argumenta que o acordo não contempla as armas convencionais iranianas nem seu papel nos conflitos na Síria e no Iêmen, além de sua influência em outros países do Oriente Médio, que aumentou em grande parte graças à invasão americana do Iraque, que levou a maioria xiita — a mesma vertente do Islã predominante no Irã — ao poder em Bagdá.

Ao deixar o acordo, Trump contraria boa parte do establishment de política externa americana, incluindo acadêmicos e centros de estudos da área. Até o republicano que preside a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos EUA, Ed Royce, disse nesta terça-feira (8) que Washington não deveria sair do acordo, porque isso jogaria fora todos os esforços para que o Irã não produza a bomba.

Hassan Rouhani

Presidente do Irã desde 2013, reeleito em 2017, o clérigo, acadêmico e diplomata é considerado um representante da ala moderada da elite dirigente da República Islâmica instalada em 1979. Ele e seu ministro do Exterior, Mohammad Javad Zarif, devotaram dois anos de esforços para a assinatura do acordo nuclear de 2015, e conseguiram o apoio do líder religioso do regime, aiatolá Ali Khamenei, que atua como árbitro entre as diferentes facções políticas. Com o acordo, Rouhani e os reformistas apostaram no fim do isolamento do país persa em relação ao Ocidente, na recuperação econômica e na normalização das relações internacionais iranianas.

Com a concretização da saída americana, sai fortalecida a linha-dura do regime, que sempre havia advertido contra confiar no “Grande Satã”, como os Estados Unidos — que cortaram relações com o país em 1979 e nunca as restabeleceram — são chamados desde a queda do xá Mohammad Pahlavi.

Europeus

A Alemanha e a União Europeia foram co-signatárias do acordo de 2015, com os Estados Unidos e as demais potências permanentes do Conselho de Segurança da ONU. O presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, em visitas recentes a Washington, tentaram, sem sucesso, convencer Trump a permanecer no pacto, que levou dois anos para ser negociado.

“Sobre o Irã, nosso objetivo é claro: o Irã não deve ter jamais quaisquer armas nucleares. Nem agora, nem em cinco, dez anos, nem nunca”, disse Macron. Além de alertar que a retirada americana aumenta a instabilidade no Oriente Médio, a Alemanha, a França e os demais países europeus esperam aumentar seus investimentos no Irã, que com 80 milhões de habitantes é o país mais populoso do Oriente Médio e tem uma população altamente educada.

Netanyahu
O primeiro-ministro israelense, no poder desde 2009, tem sido historicamente um dos maiores opositores do acordo nuclear com o Irã, o que afetou suas relações com o governo de Barack Obama. Desde o início do governo Trump — cuja base de evangélicos cristãos e conservadores linha-dura defende laços incondicionais com Israel —, Netanyahu redobrou seu lobby pela saída americana do acordo. Aos olhos de Israel, que prefere que o Irã seja mantido em uma posição de pária, o pacto legitima a República Islâmica.

Bin Salman

Promovido em 2017 a príncipe herdeiro da Arábia Saudita, o jovem Bin Salman, de 32 anos, tem liderado uma política externa mais agressiva do que a do seu pai, o rei Salman, hoje com 82 anos. Vinha pressionando os Estados Unidos pela saída do acordo com o Irã, o grande rival dos sauditas na disputa por influência nos países do Oriente Médio. Para isso, Bin Salman se aproveitou de sua proximidade com Trump, que como empresário fez negócios na Arábia Saudita e teve o país como destino de sua primeira viagem internacional como presidente dos Estados Unidos. Além da competição política e ideológica, a Arábia Saudita rivaliza com o Irã na arena econômica, já que ambos são grandes produtores de petróleo.

 

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