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Brasil Falta trabalho para quase 28 milhões de pessoas no Brasil, segundo o IBGE

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Para além da subutilização da força de trabalho no 1º trimestre de 2018, que atingiu 27,7 milhões de pessoas (24,7% da força de trabalho, taxa mais alta desde 2012), os dados da Pnad Contínua Trimestral, divulgados nesta quinta-feira (17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), também apontam que 4,6 milhões de pessoas desistiram de procurar emprego (4,1% dos brasileiros) salto de 195% em quatro anos. Essas pessoas, chamadas pelo instituto de desalentadas, saíram da estatística dos desempregados.

O Brasil tem também 3 milhões de pessoas desocupadas e que estão procurando emprego há mais de dois anos. Eles representam 22% do total da população desocupada no primeiro trimestre, que chegou a 13,7 milhões de pessoas. Na comparação com os três primeiros meses de 2017, houve crescimento de 4,8% nesse contingente.

A maioria dos desempregados, contudo, procura trabalho há mais de um mês, mas menos de um ano – 6,384 milhões de pessoas. Esse contingente encolheu em 8,5% ante o primeiro trimestre de 2017. Por outro lado, o total de pessoas procurando emprego há menos de um mês saltou 14,6% entre o primeiro trimestre de 2017 e os três primeiros meses de 2018.

Para o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, os dados são “bastante preocupantes”.

“Alguns indicadores mostram avanço, outros mostram que o mercado de trabalho continua em situação delicada”, disse Azeredo, citando que, nos últimos trimestres, houve queda tanto do número de desocupados quanto do contingente de pessoas ocupadas. “Por isso, é fundamental a divulgação da subutilização”, disse Azeredo.

Subutilização. O ponto central da divulgação do IBGE neste trimetre foi referente à subutilização da força de trabalho, que chegou a 24,7% no 1º trimestre de 2018, atingindo 27,7 milhões de pessoas. Esta é a taxa mais alta da série iniciada em 2012. A taxa de desemprego no 1º trimestre foi divulgada pelo IBGE no mês passado e ficou em 13,1%, atingindo 13,7 milhões de brasileiros.

A taxa composta de subutilização da força de trabalho estava em 23,6% no quarto trimestre de 2017 e 24,1% no primeiro trimestre de 2017. O indicador inclui a taxa de desocupação, a taxa de subocupação por insuficiência de horas e a taxa da força de trabalho potencial, pessoas que não estão em busca de emprego, mas estariam disponíveis para trabalhar.

A taxa combinada de subocupação por insuficiência de horas trabalhadas e desocupação foi de 19,1% no primeiro trimestre de 2018. Havia o equivalente a 6,2 milhões de trabalhadores subocupados por insuficiência de horas trabalhadas e 13,7 milhões de desocupados. No quarto trimestre de 2017, o indicador tinha ficado em 18,0%.

O indicador inclui as pessoas ocupadas com uma jornada inferior a 40 horas semanais que gostariam de trabalhar por um período maior, somadas às pessoas que buscam emprego.

Já a taxa combinada da desocupação e da força de trabalho potencial – que abrange as pessoas que gostariam de trabalhar, mas não procuraram trabalho, ou que procuraram, mas não estavam disponíveis para trabalhar (força de trabalho potencial) – foi de 19,2% no primeiro trimestre, o que representa 21,5 milhões de pessoas nessa condição. No quarto trimestre de 2017, essa taxa estava em 17,8%.

Os menores percentuais de empregos (exceto domésticos) com carteira de trabalho assinada na iniciativa privada, estavam nas regiões Nordeste (59,7%) e Norte (62,9%) e o maior, no Sul (83,3%).Apenas o Norte apresentou expansão dessa proporção em relação ao 1º trimestre de 2017 (de 59,9% para 62,9%), enquanto as demais registraram queda.

“Quando pegamos as medidas completas, isso mostra que a queda na desocupação não é favorável”, afirmou Azeredo, após a entrevista coletiva para comentar os dados da Pnad Contínua Trimestral referente ao primeiro trimestre. “Parte da população que saiu do desemprego foi para o desalento ou continua subocupada”, completou.

Segundo Azeredo, entre 2017 e 2018, a desocupação caiu, mas “caiu em função do aumento do desalento e do aumento da subutilização”. “O retrato geral é que o mercado de trabalho continua ainda em uma situação bastante desfavorável”, afirmou o pesquisador.

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