Terça-feira, 15 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de maio de 2018
A liberação de alguns trechos de estradas, como em São Paulo, está longe de significar o fim da greve. Nos grupos de WhatsApp dos caminhoneiros, a ordem é manter a paralisação, pelo menos, até terça-feira. Por ora, a maioria concordou em liberar as estradas e continuarem estacionadas em pontos estratégicos.
Mas, nas últimas postagens, lideranças dos caminhoneiros começam a organizar novas paralisações a partir de segunda-feira (28), às 8 horas. Num vídeo que está circulando nos grupos de WhatsApp, representantes chamam, além dos caminhoneiros, veículos de passeio para parar as BRs. Além disso, uma manifestação em pontos estratégicos das principais capitais também está sendo organizada.
Pelo tom das conversas, as reivindicações vão além do problema do preço do diesel. Depois da dimensão que a greve tomou nos últimos dias, os motoristas acreditam que podem mudar o rumo do País. Cada um tem uma tese, mas todos apostam na força do exército como aliada e na intervenção militar como solução para os problemas do País.
Alguns vídeos mostram a atuação dos soldados acionados para liberar as estradas. Eles são recepcionados com palmas e continência pelos caminhoneiros, que prometem manter um protesto pacífico, o que é apoiado pelos soldados. Em outros vídeos, a polícia militar também demonstra apoio aos grevistas.
À frente do movimento que bloqueou estradas, afetou o abastecimento de alimentos e outros bens e atrasou voos nos aeroportos por quatro dias, a Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros) conta com uma base sindical ampla e organizada com presença em praticamente todos os Estados, uma economia enfraquecida e um presidente de perfil conciliador. Em 2012 e 2015, quando participou de outras greves, sem liderar, a entidade tinha estrutura pequena e era pouco pulverizada. Na época, a categoria ainda não se organizava pelo WhatsApp. Hoje, são pelo menos três grupos no aplicativo com participação de mais de 400 caminhoneiros.
Pelos relatos de indústrias, comércio varejista e do agronegócio, os estragos econômicos causados pela paralisação são maiores que os provocados nas greves anteriores. José de Fonseca Lopes, 76 anos, caminhoneiro de Presidente Prudente, no interior paulista, e fundador da Abcam em 1983, assumiu a entidade em 2011 e foi reeleito em 2016 para com mandato até 2021. Ele estava de licença médica na paralisação de 2015.
Lopes acredita que a categoria está mais unificada, se comunica melhor e os líderes regionais estão mais próximos. Como fruto dessa maior mobilização, a Abcam estima que em torno de 700 mil caminhoneiros filiados participavam da greve até sexta. A Abcam é composta por 54 entidades filiadas, incluindo sindicatos, associações e cooperativas. A entidade mudou sua sede de São Paulo para Brasília há três anos para que os dirigentes tivessem maior contato com ministros e parlamentares.
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