Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 20 de julho de 2015
O vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) afirmou que a ida do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para a oposição gera uma “crisezinha política”, mas não uma “instabilidade institucional”.
Também responsável pela articulação política do governo Dilma Rousseff (PT), Temer tentou minimizar as críticas tanto do deputado quanto do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) ao governo de Dilma Rousseff.
Após palestra em Nova York nesta segunda-feira (20), o vice disse que eventual afastamento de Cunha da presidência da Câmara é “uma decisão do Congresso Nacional”. “Quanto menos embaraços institucionais tivermos, melhor para o País”, complementou.
Em palestra para acadêmicos e empresários americanos e de outras nacionalidades em evento no clube da Universidade Cornell, Temer antecipou-se a possíveis questionamentos sobre a situação do País e apresentou uma leitura mais otimista.
Ele fez uma ode à democracia brasileira e disse que o País vive uma “alegria cívica”, com plena participação popular, “uma pequena crise econômica e um pouco da crise política, que será superada”. Disse, também, que o governo tem “um apoio muito grande do Congresso Nacional”. “Perguntarão os senhores se não há problemas como a corrupção. O que importa não é a existência da corrupção, mas o combate a ela, que está sendo feito às claras, nada subterrâneo.”
O vice-presidente afirmou que Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário “funcionam com toda tranquilidade e independência”. Ele mencionou ainda a necessidade de uma reforma política que reduza o número de partidos políticos.
“No Brasil, é preciso ajustar uma coalizão entre muitas vezes 20, 22 partidos. Ora, vocês imaginam as várias tendências e a natural busca de participação no governo. Isso cria uma certa dificuldade”, admitiu.
Propina
Ele não quis comentar a delação do consultor Júlio Camargo à Operação Lava-Jato, em que afirmou ter pago 5 milhões de dólares em propina a Eduardo Cunha. “Não é prudente”, afirmou Temer. Após a divulgação da delação, o presidente da Câmara negou as acusações e, no dia seguinte, anunciou sua saída oficial da base do governo e a ida para a oposição.
Cunha acusou o governo de ter orquestrado uma campanha contra ele e disse que há um “bando de aloprados” no Planalto que precisariam ser investigados. Segundo ele, o envolvimento de seu nome nas investigações é “tudo vingança do governo”.
Questionado se a decisão do presidente da Câmara de passar para a oposição dificultará a relação com o governo Dilma, Temer voltou a dizer que a decisão é de cunho pessoal e que não foi acompanhada pelo PMDB. (Folhapress)
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