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Brasil “É um alívio”, disse o ministro brasileiro após o presidente dos Estados Unidos Donald Trump assinar a ordem para suspender a separação de famílias de imigrantes

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Consulados deverão prestar assistência jurídica às famílias brasileiras detidas. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes afirmou que ordem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para suspender separação de famílias de imigrantes é “um alívio”. “Todos nós pudemos avaliar quando vimos aquelas imagens na televisão de crianças desesperadas após separadas dos pais”, declarou Nunes.

Nunes reiterou a posição do Itamaraty em relação à política de separação de famílias, que classificou como “cruel”.

O balanço mais recente do Itamaraty aponta que 49 menores brasileiros foram separados dos pais após Trump aplicar a política de “tolerância zero” contra a imigração ilegal nos Estados Unidos.

“Não queremos politizar”

Nunes disse, ainda, que o Itamaraty deve “manter o diálogo” com o governo norte-americano. “Não queremos politizar este assunto. O nosso objetivo é atender as pessoas”, ponderou.

Na entrevista, o ministro reforçou que a questão imigratória nos Estados Unidos é anterior ao mandato de Donald Trump.

“Esse problema não é novo. Os primeiros casos de separação vêm de 2013. É claro que se intensificou agora, com a política de tolerância zero”, disse Nunes.

Além disso, o ministro também orientou os imigrantes a “obedecer e não tentar burlar” as leis dos países, “assim como queremos que respeitem as nossas”.

“É preciso tomar muito cuidado e saber que os Estados Unidos têm suas leis”, declarou Aloysio Nunes.

Entenda a política de “tolerância zero”

A política migratória americana estabelece que todo adulto que for pego atravessando a fronteira ilegalmente deve ser criminalmente processado. Se for capturado, o indivíduo é levado a um centro federal de detenção de imigrantes até que se apresente a um juiz.

A política não fala em separação das famílias, porém isso acabava ocorrendo na prática já que as crianças não podem ser mantidas nestes centros de detenção.

Brasileiros

O cônsul-geral adjunto do Brasil em Houston, Felipe Santarosa, disse que recebeu do governo americano a informação de que, até a semana passada, havia 49 crianças brasileiras em abrigos nos Estados Unidos, depois de terem sido separadas dos pais na fronteira.

O número atualizado é bem maior que o anterior: na quarta-feira o mesmo diplomata dispunha da informação de que oito crianças brasileiras estavam separadas de seus responsáveis após cruzarem a fronteira com o México.

Essas crianças do Brasil estão entre as mais de 2000 vítimas da política de “tolerância zero” aos imigrantes ilegais colocada em prática pelo governo de Donald Trump, e que foi modificada na quarta-feira, quando ele decidiu que as famílias não serão mais separadas.

O cônsul Santarosa, responsável pelos estados do Texas e do Novo México, afirmou que o aumento nos casos de separação de famílias é “nítido” e que a nova política pode “aumentar esse número de forma preocupante”.

No governo de Barack Obama, só se escutava de casos, por exemplo, de adultos detidos que estariam acompanhados por crianças novas demais ou com algum problema físico, segundo Santarosa. Nesses casos específicos, o “atendimento” em prisões ficaria difícil porque elas não possuem estrutura para receber esses acompanhantes de detentos.

As autoridades brasileiras nos Estados Unidos observaram outra diferença: as crianças separadas de suas famílias são de diferentes faixas etárias e, muitas vezes, estão sendo mandadas para estados distantes de seus familiares.

Santarosa afirma que existe um abrigo em Kerens, no Texas, que ainda funciona à forma antiga, como no governo Obama, sem separar famílias. Mais de 20 brasileiras estão nesse abrigo com os seus filhos e estão angustiadas com a possibilidade de se separar a qualquer momento das crianças em função da nova política migratória.

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