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Política O apoio do centrão a Ciro Gomes retrocede e o bloco se aproxima de Geraldo Alckmin

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Alckmin e seus auxiliares passaram a semana em conversas individuais com integrantes do centrão. (Foto: Reprodução)

A correlação de forças do centrão mudou desde o início da semana e fez com que a tendência de apoio a Ciro Gomes (PDT) refluísse, abrindo espaço para uma aproximação mais assertiva do bloco com Geraldo Alckmin (PSDB).

Antes dividido, o grupo formado por DEM, PP, PRB e SD mudou de postura com a entrada do PR, de Valdemar Costa Neto, que sinalizou preferência pelo ex-governador de São Paulo durante jantar na noite de quarta-feira com a cúpula do centrão.

Nessa quinta-feira, em reunião na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Valdemar manteve discurso pouco assertivo, mas repetiu seu diagnóstico de que Ciro é explosivo, politicamente pouco confiável e com uma agenda de propostas muito diferente daquela defendida pelo grupo. Alckmin, pondera o comandante do PR, é mais previsível e, com até 7% nas pesquisas, pode crescer com o apoio massivo do bloco.

Outra avaliação é de que o candidato que será lançado pelo PT quando o ex-presidente Lula for impedido de disputar o Planalto deve desidratar Ciro, principalmente entre os eleitores do Nordeste. Apesar do revés de Ciro e da tendência pró-Alckmin das últimas horas, o grupo decidiu anunciar a decisão somente na quinta-feira. Em nota após o encontro, o bloco reafirmou a união dos partidos – que marcharão juntos em torno de um nome ao Planalto – mas deixou a batida de martelo para a próxima semana.

“O momento é de ponderar, em conjunto, o melhor caminho para o futuro do Brasil. Ciente dessa responsabilidade e do papel que o Centro Democrático vai desempenhar nesta eleição, cada partido vai realizar consultas internas nos próximos dias com o propósito de anunciar publicamente uma decisão comum na semana que vem”, disse, no texto, o presidente do DEM, ACM Neto.

Alckmin e seus auxiliares passaram a semana em conversas individuais com integrantes do centrão. O tucano se reuniu com Valdemar Costa Neto na segunda-feira. Nesta quinta, o ex-governador de São Paulo cancelou compromisso que teria em Minas Gerais e resolveu ficar em São Paulo à espera de notícias.

“Torcida total para fechar com o Alckmin”, disse o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), ao chegar à residência oficial da Presidência da Câmara.

Um aliado de Valdemar, por sua vez, negou que o manda-chuva do PR seja pró-Alckmin, mas fez uma série de ponderações contrárias a Ciro Gomes que vão na mesma linha do que PRB e ala do DEM que defendem o apoio ao tucano vêm argumentando. Eles citam a verborragia do ex-governador do Ceará e a dificuldade em acreditar que ele cumprirá acordos firmados na pré-campanha.

O PRB também apresenta resistência em apoiar Ciro e ameaçava abandonar o barco. Com o discurso do pré-candidato do PDT, considerado à esquerda do mercado, a sigla temia perder o trânsito com o empresariado que ganhou ao comandar o Ministério da Indústria e Comércio Exterior.

Além disso, havia a preocupação de que a pauta de costumes da esquerda não fosse bem recebida por seu eleitorado evangélico. O PRB é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. A eventual adesão do blocão à candidatura de Alckmin pode aumentar o isolamento de Ciro. No PSB, há quem defenda a tese de que, caso o apoio do centrão ao tucano se confirme, o partido deve apoiar o PT, como defende o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB-PE).

Após a reunião do centrão, que, além de Valdemar Costa Neto, Carlos Sampaio e ACM Neto, contou com os presidentes do PRB, Marcos Pereira, do PP, Ciro Nogueira, do SD, Paulinho da Força, do PHS, Marcelo Aro, e os deputados Aguinaldo Ribeiro (PP), Bebeto (PSB) e Luis Tibé (Avante), Maia recebeu o pré-candidato à Presidência do MDB, Henrique Meirelles. Apesar de ter apenas 1%, o emedebista tem insistido nas conversas com atores do centrão.

Seja qual for o escolhido do bloco, participantes do encontro afirmam que o candidato a vice na chapa já está decidido. O posto ficará com Josué Alencar (PR), filho de José Alencar, vice-presidente durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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