Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de julho de 2018
O ministro Aloysio Nunes (Relações Exteriores) criticou nesta sexta-feira (27) o governo da Nicarágua pela demora em apresentar explicações detalhadas sobre a morte da estudante brasileira Raynéia Gabrielle Lima, 31. “As informações que foram prestadas até agora são extremamente insuficientes”, disse Nunes, em entrevista durante a décima cúpula do Brics (bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Joanesburgo.
Raynéia foi morta a tiros na última segunda-feira (23) em Manágua, capital do país, que enfrenta ondas de protestos contra o presidente Daniel Ortega. “O governo Nicarágua diz que foi um guarda de segurança particular. Mas quem foi? Qual é o calibre da arma? Em que circunstância isso ocorreu? Não houve até agora um esclarecimento e nós vamos insistir porque isso nos parece absolutamente inaceitável”, afirmou Nunes.
Após o crime, o governo convocou para prestar esclarecimentos a embaixadora da Nicarágua no Brasil, Lorenza Martinez, e chamou de volta ao país o embaixador brasileiro em Manágua, Luis Cláudio Villafañe. “Esse é um gesto diplomático que marca o profundo inconformismo do Brasil com a violência na Nicarágua, que acabou por vitimar uma brasileira”, disse.
Ele afirmou que o governo continua insistindo para obter informações e que uma alternativa em caso de resposta negativa será estudará medidas junto a organizações multilaterais, como a OEA (Organização dos Estados Americanos).
Nunes acrescentou que o Brasil fez ainda apelos à OEA por um fim à violência na Nicarágua. “Não apenas a violência das forças policiais, mas também a violência talvez mais ultrajante, que é a violência das forças paramilitares.”
Temer
O presidente Michel Temer afirmou na quinta-feira (26) que o Brasil está tomando todas as providências possíveis para o esclarecimento da morte da estudante brasileira.
“Não é possível que nós admitamos simplesmente a lamentável morte de uma brasileira sem que nós tomássemos providências”, afirmou Temer, em entrevista após encontro com o presidente da China, Xi Jinping, em Joanesburgo, na África do Sul.
Temer citou medidas já anunciadas pelo secretário-geral de Relações Exteriores, Marcos Galvão, como a cobrança de explicações ao governo de Ortega e a convocação da embaixadora da Nicarágua no Brasil, Lorena Martinez, para prestar esclarecimentos. O Ministério das Relações Exteriores solicitou também o embaixador brasileiro naquele país, Luís Cláudio Villafañe, retorne ao Brasil para relatar a situação. As medidas são um sinal de atrito diplomático entre os dois países.
“As providências estão sendo tomadas diariamente”, disse Temer, sem especificar quais outras medidas serão tomadas. O presidente está na África do Sul para a cúpula do Brics, bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e o país anfitrião. O ministro das Relações Exteriores, Aloyisio Nunes, faz parte da comitiva de Temer e estava presente na reunião com o presidente chinês, mas não se manifestou sobre o tema após o encontro.

Raynéia foi morta a tiros na última segunda-feira (23) em Manágua, capital do país, que enfrenta ondas de protestos. (Foto: Reprodução)
Os comentários estão desativados.