Domingo, 30 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 8 de agosto de 2018
O aumento na conta de luz em julho foi o que mais pesou na inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) do mês, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O item energia elétrica ficou 5,33% mais caro.
Apesar da desaceleração em relação à alta de 7,93% registrada em junho, a energia elétrica foi o item de maior impacto na inflação de julho, o equivalente a 0,2 ponto porcentual.
Além da continuidade da vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 2, com a cobrança adicional de R$ 0,05 por KWh consumido, houve reajustes nas tarifas cobradas por concessionárias em Porto Alegre, Brasília, Curitiba e São Paulo.
A conta de luz recuou apenas em Belém (-0,01%), Goiânia (-1,83%) e Vitória (-0,30%), por conta da redução na alíquota de PIS/Cofins.
IPCA
Considerado a inflação oficial do País, o IPCA ficou em 0,33% em julho, quase 1 ponto percentual abaixo do registrado no mês anterior, quando a taxa disparou 1,26% em meio à alta de preços provocada pela greve dos caminhoneiros, conforme o IBGE.
No acumulado em 12 meses, o índice ficou em 4,48%, acima dos 4,39% dos 12 meses imediatamente anteriores, mas ainda dentro da meta central do Banco Central, que é de 4,5% para o ano. No acumulado nos 7 primeiros meses do ano, a alta é de 2,94%.
Apesar da desaceleração, o resultado do IPCA veio um pouco acima do esperado. Pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de alta de 0,27% em julho, acumulando em 12 meses avanço de 4,40%.
Alimentação
Os preços do grupo alimentação e bebidas caíram 0,12% em julho, após registrar em junho a maior alta dos últimos 29 meses (2,03%). A queda foi puxada pela alimentação no domicílio (0,59%). Segundo o IBGE, a deflação refletiu, além do aumento da oferta de itens alimentícios, o realinhamento de preços após as altas decorrentes da paralisação dos caminhoneiros.
As principais quedas foram: cebola (-33,50%), batata-inglesa (-28,14%), tomate (-27,65%), frutas (-5,55%) e carnes (-1,27%). Entre as altas, os destaques foram o leite longa vida (11,99%) e o pão francês (2,22%).
Já a alimentação fora de casa acelerou para 0,72% em julho, com destaque para o lanche fora (1,40%) e a refeição (0,39%). “Julho é mês de férias, o que eleva o consumo de alimentos fora de casa. Além disso, tivemos Copa do Mundo, o que também aumenta o consumo em bares e restaurantes”, apontou o pesquisador.
Questionado se a desaceleração do índice em relação a junho corresponde ao fim dos efeitos da greve dos caminhoneiros, o porta-voz do IBGE ponderou que é preciso aguardar mais um levantamento mensal de preços.
Meta de inflação
Em meio à recuperação lenta da economia e demanda fraca, a previsão dos analistas aponta para uma inflação de 4,11% em 2018, segundo a última pesquisa Focus do BC. O percentual esperado pelo mercado continua abaixo da meta de inflação, que é de 4,5% e dentro do intervalo de tolerância previsto pelo sistema. A meta terá sido cumprida pelo BC se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar entre 3% e 6%.
Na véspera, o BC informou, por meio da ata da última reunião Copom (Comitê de Política Monetária), que o forte avanço da inflação em junho refletiu efeitos da paralisação no setor de transportes e que os “efeitos desses choques devem ser temporários”.
Ainda segundo o BC, na ausência de “choques adicionais” sobre a economia, o cenário inflacionário deve revelar-se “confortável” para o cumprimento da meta em 2018 e 2019, sem necessidade aumento de juros.
Para 2018, a meta central de inflação é de 4,5% (com teto de 6,5%) e, para 2019, é de 4,25% (teto de 5,75%). Com a manutenção dos juros básicos em 6,5% ao ano na semana passada, a terceira consecutiva, a taxa Selic continuou no menor nível da série histórica do Banco Central – que teve início em 1986.
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