Terça-feira, 29 de setembro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Mundo Cientistas desvendam o mistério de cidade onde moradores caem no sono de repente

Compartilhe esta notícia:

Ao menos 120 moradores foram afetados. Pessoas passavam dias adormecidas. (Foto: Reprodução)

Os 582 habitantes da aldeia de Kalachi, no norte do Cazaquistão, chegaram a pensar que estavam amaldiçoados. Durante cinco anos olharam desconfiados para o céu, o ar, a água que bebiam. Suspeitaram até da vodca. Uma doença estranha começou a tomar conta dessas pessoas: sem motivo aparente, caíam no sono de forma fulminante. E podiam passar vários dias assim.

Mas o mistério agora foi desvendado: uma combinação de monóxido de carbono e de partículas de hidrocarburetos na atmosfera é a culpada. “Depois de fazer exames em todos os habitantes, recebemos a confirmação dos laboratórios (…), a causa principal é o monóxido de carbono”, explicou o vice-primeiro-ministro do país, Berdybeck Saparbayev, em entrevista coletiva. “Quando o monóxido de carbono [CO] e os níveis de hidrocarbonetos [CH] aumentam, o oxigênio baixa e produz esses desmaios”, afirmou.

Ao menos 120 moradores foram afetados. Os primeiros casos foram registrados em 2010 e se intensificaram a partir de 2013. O problema vinha em ondas: seis crianças dormiram em setembro de 2014 – no último inverno (no hemisfério norte) foram 60 pessoas. O sono chegava repentinamente, de forma irresistível. “Dirigia minha moto em 28 de agosto e de repente caí no sono”, afirmou um morador ao site EurasiaNet.org. Foi acordar apenas em 2 de setembro. Como também ocorreu com o restante dos moradores, os médicos não souberam dizer o que ocorria.

Suspeitas sempre incidiram sobre minas de urânio próximas a vila. (Foto: Reprodução)

Suspeitas sempre incidiram sobre minas de urânio próximas a vila. (Foto: Reprodução)

Minas de urânio.

Kalachi fica perto de um povoado fantasma que abrigou minas de urânio. As suspeitas sempre incidiram sobre essas minas. O quebra-cabeça estava no fato de as medições desses componentes serem normais, conforme explicou Sergey Lukashenko, um dos cientistas responsáveis pela investigação, ao jornal local The Astana Times.

“O interessante é que a doença do sono só se manifesta com a combinação de falta de oxigênio e excesso de CO e CH”, disse Lukashenko, que é diretor do Centro Nuclear do Cazaquistão. Em Kalachi, o fenômeno só ocorria mediante certas condições atmosféricas. “Cada um desses três componentes separadamente se encontrava dentro do nível normal e nenhum deles parecia causar suspeitas; portanto, durante muito tempo não foi possível verificar a causa verdadeira”, disse.

O cientista afirma que a origem dessa contaminação está em Krasnogorsk, um vilarejo fantasma perto de Kalachi e que abriga uma grande mina de urânio. A mina está fechada desde a queda da União Soviética, e Lukashenko deixou claro que o urânio ou qualquer radiação associada ao elemento não estão ligados às sonolências profundas.

“O urânio não tem nada a ver com isso. Usaram um monte de estruturas de madeira quando a mina estava em funcionamento. Depois a mina foi fechada e se encheu de água, e quando a madeira entra em contato com a água se produz monóxido de carbono”, afirmou. O monóxido de carbono começou a se infiltrar pouco a pouco até a superfície. As famílias da aldeia estão sendo realocadas pelo governo. (AG)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Telescópio da Nasa descobre planeta “primo da Terra”
Adriane Hilbig, sócia diretora do Cisne Branco
Barco Cisne Branco conquista selo do Inmetro
Pode te interessar