Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de agosto de 2018
O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, contrariou, nesta terça (21), declaração dada na segunda-feira (20) por sua vice, Kátia Abreu, de que ele não é contra a reforma trabalhista.
“O que ela disse é que nós vamos, e é o que de fato eu sempre propus, revogar essa reforma trabalhista do Temer e substituí-la por outra que consulte o diálogo que eu quero promover entre os trabalhadores, os empresários, a universidade e a legislação internacional”, disse Ciro, em evento de campanha em Guarulhos.
A senadora também disse haver “um mito que ele [Ciro] é contra a reforma trabalhista do jeito que foi feita”.
“Ninguém vai fazer uma revolução na lei trabalhista, ninguém vai desmanchar e destruir uma lei”, disse Kátia Abreu em um evento.
Depois, a senadora disse a jornalistas que as reservas de Ciro quanto à reforma trabalhista se restringem a oito pontos da reforma que o governo Temer, para garantir a aprovação no Senado, admitiu que poderia ajustar.
Ela ainda disse que Ciro não pensa “absolutamente em retroagir no imposto sindical, em normas que foram aprovadas para o bem”.
Nesta terça, Ciro ressaltou que a senadora votou contra a reforma trabalhista. “Como ela pode ser a favor se ela voltou contra? Ela votou contra essa reforma trabalhista porque ela [a reforma] é selvagem. Ela levou quase 1 milhão de pessoas à informalidade no Brasil”, disse Ciro.
“O que nós queremos é substituir essa selvageria por uma coisa digna que proteja a força do trabalho. Tanto mais numa hora de 3,7 milhões de desempregados e 32 milhões de pessoas empurradas para viver de bico”, completou.
Ciro tem se posicionado contra a reforma trabalhista, e foi inclusive vaiado por empresários em evento promovido em julho pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), onde disse que revogaria pontos da reforma trabalhista.
Não é a primeira vez que Ciro e sua vice discordam publicamente.
No início do mês, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Kátia afirmou ser a favor da facilitação do porte de armas e contra o aborto. No dia seguinte, Ciro disse ter posições diferentes da vice.
“São posições diferentes, claro. Ora, mas você imagina que o vice pensa igual a mim? Qual vice pensa igual ao titular na história do Brasil?”, disse Ciro sobre a divergência.
Ibope
Questionado nesta terça sobre a pesquisa Ibope, divulgada na segunda-feira (21), que o coloca em terceiro lugar, com 9% dos votos, atrás de Jair Bolsonaro (PSL), 20%, e Marina Silva (Rede), 12%, num cenário sem o ex-presidente Lula (PT), Ciro disse que a sondagem é um “retrato do momento”.
“E a vida não é retrato, a vida é filme. O povo brasileiro está gradualmente se ligando na política”, disse.
Ele ainda repetiu aos jornalistas que a candidatura de Lula —preso em Curitiba e cuja candidatura foi questionada frente à Lei da Ficha Limpa— é uma fraude.
“Todos eles estão cansados de saber que o Lula não é candidato. E aí ficam agitando o nome do Lula para depois, quando o Lula for declarado inelegível, eles tentarem eleger uma pessoa que a população não conhece. Isso não é justo num País como o nosso”, afirmou.
Ciro disse que pediu para visitar Lula em Curitiba assim que ele foi preso, e que recorreu da decisão da juíza que o proibiu. “O STJ mandou que ele, Lula, escolhesse quem ele que receber e desde então, estou na fila para conversar com ele.”
Contudo, questionado se iria a Curitiba agora, se fosse convidado por Lula, o pedetista disse que não.
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