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Mundo Os venezuelanos enfrentam filas para sacar a nova moeda do país

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Clientes fazem fila do lado de fora de agência bancária em Maracaibo. (Foto: Reprodução)

As agências bancárias da Venezuela amanheceram com filas do lado de fora nesta terça-feira (21), com a corrida da população para obter notas da nova moeda local, após a entrada em vigor do pacote econômico, que entre outras medidas cortou 5 zeros da moeda local, que mudou de nome para bolívar soberano.

Entre domingo e a tarde de segunda-feira (20), os serviços bancários online e os caixas eletrônicos pararam de funcionar na Venezuela para adequar o sistema monetário do país às mudanças.

O bolívar soberano terá 8 notas diferentes e duas moedas metálicas. A maior nota será de 500 bolívares (cerca de US$ 7 no mercado negro). A reforma monetária é uma tentativa de controlar a hiperinflação no país, que segundo projeção do FMI (Fundo Monetário Internacional) deverá chegar a 1.000.000% neste ano.

Convocação de greve

Críticos da oposição atacaram as medidas de Maduro e convocaram uma greve nacional em protesto contra as medidas, mas muitos pontos comerciais abriram. “Não vão trabalhar, vocês têm o direito de protestar, porque o que está em jogo é sua vida, seu futuro e seu país. Rebelem-se!”, escreveu o partido opositor Vontade Popular em sua conta de Twitter.

A Fedecámaras, principal grupo empresarial da nação, rejeitou a proposta “incoerente”, observando que o aumento planejado de 3.000% do salário mínimo tornará impossível para as empresas e comércios manterem as portas abertas. Mas o grupo não se posicionou diante da greve de iniciativa opositora, dizendo que cada membro deveria decidir por conta própria.

O governista Partido Socialista anunciou uma passeata na manhã desta terça-feira para apoiar as medidas econômicas de Maduro que deve terminar com um evento no palácio presidencial.

Medidas econômicas

O conjunto de medidas para tentar conter a hiperinflação inclui também a vinculação do bolívar soberano a uma criptomoeda lastreada em suas reservas de petróleo, a abertura de um maior número de casas de câmbio e promessas de gastar menos e arrecadar mais para reequilibrar as finanças.

Para o governo de Maduro, as causas da hiperinflação estão relacionadas à “guerra econômica” provocada pelos constantes aumentos pelos Estados Unidos de suas tarifas de importação e à “oligarquia”, a quem o presidente acusa de práticas de contrabando e especulação para inflar os preços.

Opositores e analistas afirmam que a raiz da crise está ligada à má gestão de Maduro e que as medidas anunciadas por Maduro não vão aliviar a hiperinflação que assola a nação.

Para Jaime Reusche, analista de crédio sênior da agência Moody’s, as medidas anunciadas por Maduro dificilmente “reduzirão a escassez de moeda forte ou reverterão as condições macroeconômicas que levaram a um default soberano”.

Reusche lembra que o governo do país não honrou no último dia 15 agosto o pagamento principal de US$ 1,1 bilhão de seu bond (título) de 2018. Na visão dele, o tamanho do default do país vai continuar a crescer e qualquer reestruturação futura da dívida da Venezuela “provavelmente será processso altamente complexo e demorado”.

Outro agravante é a falta de financiamento internacional. A produção de petróleo – fonte de 96% das receitas – desabou de 3,2 milhões de barris diários em 2008 a 1,4 milhão em julho passado, enquanto que o déficit fiscal se aproxima dos 20% do PIB, segundo consultoras privadas.

Hiperinflação

A hiperinflação fez com que a moeda venezuelana perdesse gradativamente seu valor. Muitas vezes é possível encontrar notas jogadas pelas ruas. O bolívar forte venezuelano está tão desvalorizado no mercado paralelo que é possível comprar cerca de 66 milhões com US$ 1.

O pacote de Maduro, contudo, foi recebido com ceticismo por analistas e pela oposição. O economista-chefe da Torino Capital, Francisco Rodríguez, que assessorou um dos rivais de Maduro nas eleições de maio deste ano, disse que “não se pode acabar com hiperinflação sem um programa de disciplina fiscal e monetária, além de um compromisso crível para diminuir a taxa de criação de moeda”.

Em setembro entra em vigor o aumento de 3.500% do salário mínimo. O governo diz que vai ajudar pequenos e médios empresários a arcar com a diferença salarial nos três primeiros meses. O temor de muitos é que a medida possa jogar ainda mais combustível na inflação.

 

 

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