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Brasil O candidato à presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin, aposta na força do rádio e da TV para alavancar a sua campanha eleitoral

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Alckmin cumpriu agenda de campanha no bairro do Campo Limpo, na periferia da zona Oeste da capital paulista. (Foto: EBC)

Com 44% do tempo da propaganda eleitoral de rádio e TV garantidos, o candidato à presidência da República Geraldo Alckmin (PSDB) apostará no espaço tradicional de publicidade para galgar os degraus necessários para chegar ao segundo turno. A mais recente pesquisa de intenção de voto para o cargo mostra o candidato que tem apoio do “Centrão” com 7% da preferência do eleitorado, no mais otimista dos cenários – sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Em um país continental como é o Brasil, torna-se impossível, em apenas 45 dias, percorrer todos os lugares que a campanha gostaria. Como a coligação dispõe do maior tempo da propaganda, quase o dobro dos demais, é nisso que deve investir para tornar Geraldo Alckmin mais conhecido e aprofundar as suas propostas com o eleitor”, diz a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS), candidata a vice e que tem acompanhado o presidenciável em suas viagens pelas regiões Sul e Sudeste.

Para ela, Alckmin, na propaganda gratuita, terá um canal direto com os eleitores. Entusiasta e usuária frequente das redes sociais, a senadora gaúcha diz acreditar na ferramenta para difundir mensagens curtas e instantâneas, mas é ineficaz para introduzir, de fato, a pessoa e as propostas junto ao eleitor: “Existe um aspecto emocional nas redes sociais que é capaz de tocar o eleitor no momento, mas as redes não são capazes de conquistar o eleitorado, porque não entram nos detalhes das propostas, não possibilitam o debate de ideias”.

Com a propaganda eleitoral, avalia Ana Amélia, Alckmin terá um canal direto, onde o eleitor poderá conhecer melhor o seu perfil conciliador e as suas propostas. “A história mostra que o cidadão brasileiro não quer um governante que ganha no grito, que bate na mesa. O futuro presidente terá que ter a capacidade de dialogar. Terá que fazer uma articulação séria que atenda o interesse nacional e ter um bom relacionamento com o Congresso Nacional”, diz.

Ela cita os exemplos dos ex-presidentes Fernando Collor de Melo (1990-1992) e Dilma Rousseff (2011-2016), que sofreram impeachment e, para ela, apresentavam esse perfil: “Alckmin mostrará que possui as credencias necessárias e tem equilíbrio emocional para governar o País”.

Graças à coligação formada por seis partidos (além do PSDB, PP, DEM, PR, PRB e Solidariedade), o candidato tucano terá direito a 11 minutos na TV e no rádio. Já o candidato do PT ficará com cerca de 4,5 minutos. As transmissões serão obrigatórias para todas as emissoras de rádio e para as televisões abertas (as TVs educativas e públicas também terão que ceder espaço para a propaganda) no período entre os dias 31 de agosto e 4 de outubro.

Dificuldade

Os primeiros dias da campanha corpo-a-corpo têm mostrado que a coligação será útil apenas na utilização do espaço na mídia convencional. Isso porque, além do pouco tempo para percorrer todo o vasto território nacional, como frisou a senadora, o tucano encontra dificuldade para penetrar os rincões dos próprios aliados, especialmente no Nordeste, que vem sendo ocupado por adversários.

O presidente do PP, partido de Ana Amélia, tem percorrido o seu Estado, o Piauí, empunhando a bandeira do candidato do PT, líder nas pesquisas eleitorais. Apesar de Alckmin necessitar da capilaridade que a chapa supostamente ofereceria pelo interior do País, a senadora minimiza a falta de apoio nos palanques.

“Nunca tive a ilusão de que não passaríamos por isso”, diz a senadora. “Existem diferenças abissais entre as nossas realidades regionais. E isso tem que ser respeitado. Não adianta querer ver o Piauí com os olhos de São Paulo. No plano regional, é preciso enxergar as especificidades de cada região e não levar isso para o plano nacional” completa, ao opinar que no âmbito regional as relações são mais pessoais e questões mais específicas. “No plano nacional a discussão política se dá em outra esfera”.

Sobre a baixa aceitação do presidenciável, inclusive em Estados do Sul e Sudeste, a candidata a vice do ex-governador tucano opina que “a pesquisa é uma interpretação de momento do contexto eleitoral”. Ela pondera que o eleitor, no atual momento, “está muito decepcionado e até irritado com a política. Isso mudará com a propaganda de rádio e TV”.

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