Segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de agosto de 2018
O candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, afirmou neste sábado (25) que tem evitado confronto direto em debates com Jair Bolsonaro (PSL), a quem classificou como “despreparado”, para não parecer arrogante. Ao comentar a divisão do tempo de TV, Ciro brincou ao dizer que “dá para dormir” durante os seis minutos destinados a Geraldo Alckmin (PSDB).
Segundo aliados de Ciro, o candidato deve tentar se apresentar para os eleitores indecisos, principalmente daqueles que pretendiam votar no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste. Ele criticou, no evento deste sábado, a estratégia petista de insistir no nome do ex-presidente como o candidato do partido, embora ele cumpra requisitos para ser enquadrado na Lei da Ficha por ter sido condenado em segunda instância.
Ao falar de seus concorrentes, Ciro afirmou que a melhor estratégia para desconstruir Bolsonaro é discutir as propostas “Posto Ipiranga”, expressão que tem sido usada pelo ex-militar para se referir a Paulo Guedes, economista responsável por seu plano de governo.
“Se um cara como eu partir pra cima de uma pessoa com aquele despreparo parece arrogância”, afirmou o pedetista, ao explicar o motivo pelo qual tem evitado atacar diretamente Bolsonaro nos debates.
Ao explicar sua estratégia em evento para a militância jovem, Ciro disse que o objetivo de sua campanha não é “arrasar” com Bolsonaro e exemplificou alguns pontos que pretende explorar nas propostas do adversário para o agronegócio, setor em cujo eleitorado o ex-militar conquistou adeptos.
“O objetivo não é chegar lá e arrasar com o adversário predileto nosso que na internet é o Bolsonaro. Veja por exemplo o agronegócio. No Centro-Oeste, de onde vem a Kátia Abreu (vice de Ciro), há presença dele. Só que a proposta do Posto Ipiranga é acabar com o subsídio para o agronegócio. Os ultraliberais acham que isso é uma distorção grave. Se a gente levar ao pé da letra a proposta do Bolsonaro o agronegócio fecha em 12 meses”, disse Ciro.
“Olha a educação. O Brasil tem evasão escolar no ensino médio de 60%. É aí qual é a proposta do cara? A proposta dele é fazer colégio militar. O Colégio Militar matrícula 1200 pessoas em Fortaleza. É uma viagem. Mas a gente tem que respeitar.”
Ele se referiu aos eleitores de Bolsonaro na internet com o uma turma que prega o fanatismo. “Às vezes a gente acha que o Bolsonaro é alcançável porque é misógino, machista, porque segrega gays e porque segrega negros. Ele está com essa força relativa porque ele é isto. Infelizmente é uma fração do povo brasileiro que é isso. Que se sente representado por isso”, analisou.
Ciro pediu empenho e mobilização da militância na internet para a conquista do eleitorado indeciso. Segundo aliados, o candidato deve ir em busca dos votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente no Nordeste, onde Ciro é mais conhecido por já ter sido governador do Ceará. No final da próxima semana, a campanha do candidato planeja agendas em várias cidades da região. “Precisamos evoluir para os indecisos, os que não me conhecem, os desanimados e uma parte dos revoltados que daqui a pouco vai começar a pensar melhor o que quer para o futuro.”
Ciro não poupou ataques ao PT e PSDB. Disse que uma aliança dos partidos atrapalhou sua campanha que ficou com pouco tempo de TV e só um partido em sua coligação, o Avante. Ao se queixar das alianças conquistadas por Alckmin, Ciro foi irônico: “Vocês imaginam o Alckmin 6 minutos por dia na TV? Vai dar pra dormir”, disse, rindo muito.
Ciro ainda afirmou que a cúpula do PT é responsável por uma fraude ao insistir com a candidatura de Lula, que deverá ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa, já que o petista foi condenado em segunda instância no caso do tríplex do Guarujá. “Isso é uma irresponsabilidade muito grande porque se der certo se elege um presidente desse tamanhinho. Pode prejudicar o campo progressista. Tirar pontos de mim”, afirmou.
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