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Brasil A recuperação de Jair Bolsonaro após a facada pode levar semanas. O ferimento pode causar uma infecção após a cirurgia, disse um médico

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Bolsonaro, ao ser atendido, estava "bastante pálido", e que seu estado de saúde só não foi pior, porque teve atendimento imediato e foi logo levado para a cirurgia. (Foto: Reprodução/TV)

A facada sofrida pelo candidato Jair Bolsonaro (PSL) atingiu a artéria mesentérica, que leva sangue da cavidade abdominal para o intestino, provocando diversas lesões na região. Durante a cirurgia, que costuma durar horas, os médicos controlam a hemorragia interna, mas novas infecções, que podem ocorrer até dias depois do incidente, não são descartadas. A recuperação pós-operatória pode se estender por semanas.

No início da operação, a equipe médica costurou e resolveu uma lesão transfixante no intestino grosso e três no intestino delgado, controlando o sangramento e deixando o candidato fora de risco imediato.

Marcelo Enne, cirurgião hepático da Rede D’Or São Luiz, ressalta que uma facada no abdômen pode perfurar intestino, fígado e estômago, órgãos onde há uma grande concentração de veias e artérias, agravando o risco de hemorragia interna.

“Ninguém morre imediatamente por uma ferida no intestino, mas uma infecção dias após a cirurgia não é descartada, e isso pode implicar na necessidade de uma nova operação”, explica. “Uma facada pode provocar grandes lesões, porque as vísceras estão em contato íntimo. Praticamente não há um espaço que as separa dentro do abdômen. Por isso, vários órgãos podem ser simultaneamente perfurados.”

Segundo Enne, um paciente, após sofrer esta lesão, deve ser monitorado por um período de 12 a 24 horas antes de ser transferido para outro hospital. Ainda assim, continuará internado:

“Estes procedimentos são necessários porque podem ser registrados sangramentos após as primeiras horas de cirurgia, e a pressão sanguínea deve ser constantemente observada.”

Recuperação lenta

O cirurgião destaca que Bolsonaro, ao ser atendido, estava “bastante pálido”, e que seu estado de saúde só não foi pior, porque teve atendimento imediato e foi logo levado para a cirurgia. Mesmo assim, a recuperação pós-operatória pode se estender por semanas, segundo Enne.

A equipe médica que atendeu o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, afirmou que ele deu entrada no hospital com “sinais de choque” e com uma “volumosa hemorragia interna”, porque uma veia abdominal foi perfurada. A facada também provocou três perfurações no intestino delgado, que foram suturadas, e uma lesão grave no intestino grosso. A cirurgia, que levou duas horas, foi realizada na Santa Casa de Misericórdia e, segundo os médicos, ele chegou ao hospital sem estar vestindo colete à prova de balas.

Para tratar a lesão no intestino grosso, foi realizado um procedimento chamado colostomia, que consiste na colocação de uma bolsa para onde serão excretadas as fezes. Em função desta lesão, havia uma contaminação na cavidade abdominal, que segue sendo tratada com antibióticos.

“As lesões que traziam risco à vida foram tratadas (na cirurgia). O quadro é naturalmente grave, mas ele está estável no momento. Foi uma lesão transfixante, muito profunda. Os órgãos no abdômen ficam sobrepostos”, explicou o médico Luiz Henrique Borsato.

O médico Gláucio Souza, que também participou da cirurgia, relatou que o quadro era grave quando Bolsonaro chegou ao hospital.

“Chegou muito grave, com pressão muito baixa pela perda de sangue, mas conseguimos conter hemorragia a tempo.”

Borsato acrescentou que a recuperação nas primeiras horas após a operação tem sido satisfatória, mas evitou traçar um prognóstico sobre a participação ou não de Bolsonaro nas agendas da campanha eleitoral.

“É muito subjetivo (dizer se pode ou não participar da campanha)”, finalizou.

 

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