Sexta-feira, 26 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 16 de setembro de 2018
O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, evitou responder diretamente se, uma vez eleito, concederá indulto que garanta a liberdade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso na sede da Polícia Federal em Curitiba.
“O presidente Lula pediu, no momento do registro da sua candidatura, que seu processo fosse julgado com imparcialidade, conforme recomendação da Organização das Nações Unidas. Se até a ONU está pedindo um julgamento justo, é porque tem alguma razão”, afirmou Haddad, em breve entrevista à imprensa. “Os vícios do processo do Lula chamaram a atenção de chefes de Estado do mundo inteiro.”
Haddad iniciou uma caminhada pela Avenida Paulista, em São Paulo, por volta das 16h30min deste domingo e foi questionado por jornalistas sobre o assunto.
No sábado, o governador mineiro e candidato à reeleição, Fernando Pimentel (PT), afirmou a líderes políticos e simpatizantes que tem certeza de que, Haddad, se eleito irá assinar em seu primeiro dia de governo um indulto para o ex-presidente Lula, segundo informações do jornal O Estado de Minas.
Transferência de votos
A estratégia de manter o ex-presidente no foco até o limite do tempo serviu a dois objetivos: o primeiro foi mostrar para a militância que o partido não havia desistido dele e o segundo, mais importante, foi visando garantir a maior transferência de votos possível para Haddad.
O maior obstáculo para Haddad nessa transferência tem nome: Ciro Gomes (PDT), que já foi inclusive ministro de Lula.
Dos cinco líderes nas pesquisas, Ciro tem o menor nível de rejeição: 20% afirmam que não votariam nele de jeito nenhum, contra 22% de Haddad, segundo o Datafolha.
Ambos tem seus menores percentuais de rejeição no Nordeste (15% nos dois casos). A região tem sido o foco de Ciro nas últimas semanas e os resultados apareceram: Ciro subiu 6 pontos percentuais e foi de 14% para 20% na região, também segundo o Datafolha.
“Ciro tem o problema do tempo de televisão, mas acertou fortemente na narrativa de [tirar nomes do] SPC, que fala de forma direta a um problema das pessoas, e em passar tempo no Nordeste captando os votos do Lula”, afirma Meirelles. “A questão é se ele consegue segurar esses votos.”
Ciro e Haddad devem, inclusive, disputar os mesmos palanques em alguns estados do Nordeste. Um exemplo é o Ceará, estado do pedetista, onde Camilo Santana (PT) concorre à reeleição com uma vice do PDT na chapa.
Outro caso é o do Maranhão, onde o governador Flávio Dino (PC do B) disputa a reeleição em uma coligação de 16 partidos – incluindo o PT, de Haddad, e o PDT, de Ciro.
No entanto, Ciro pode vir a perder para Haddad alguns dos eleitores que hoje votam nele. Uma coluna da Folha de S.Paulo aponta que 11% daqueles que votariam em Ciro acham que ele é o indicado por Lula, outros 38% dos eleitores do pedetista não sabem quem é o substituto do ex-presidente.
Apesar disso, Garman não acredita que a campanha petista vá, pelo menos em um primeiro momento, tentar atacar Ciro, já que tem a tarefa mais urgente de consolidar o nome de Haddad. Mas o movimento contrário deve acontecer: na medida que cresce, Haddad se torna alvo privilegiado.
Para Vidal, da Prospectiva, Haddad tem ainda outra vantagem, a complementaridade de votos: em geral, o eleitor de Lula é de classe baixa e de baixa escolaridade, enquanto o de Haddad é mais de classe alta e alta escolaridade.
“Ele pode conseguir unir dois pólos de eleitores que os outros candidatos não conseguem”, afirma.
Secco acredita que se o PT não cometer “erros colossais”, a estratégia deve ser bem-sucedida, com Haddad herdando a maior parte do espólio lulista. A Eurasia aposta em um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad. Mas os últimos acontecimentos mostram que essa campanha é tudo, menos previsível.
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