Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 1 de outubro de 2018
Uma estratégia uniu no domingo (30) adversários na sucessão presidencial: sete dos oito candidatos, em um debate na TV Record, se posicionaram contra a polarização, indicada pelas pesquisas eleitorais. Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) foram alvos de ataques.
Oito candidatos participaram do debate: Álvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB) e Marina Silva (Rede). Jair Bolsonaro (PSL) foi convidado, mas não compareceu por problemas de saúde.
Bolsonaro
O capitão da reserva foi criticado numa dobradinha entre Henrique Meirelles (MDB) e Ciro Gomes (PDT). Depois, Marina Silva (Rede) associou Bolsonaro a Haddad, e disse que ambos representam projetos autoritários. Haddad foi criticado por Marina e Ciro pela proposta de “criar condições” para convocar uma Assembleia Constituinte, que consta em seu programa de governo. Todos fizeram referências às eleitoras, em alusão clara às manifestações do “Ele Não”, organizadas pelas mulheres contra o candidato do PSL.
Marina
Marina fez sua crítica após ser questionada por Ciro sobre a desconfiança levantada por Bolsonaro em relação às eleições. O candidato do PSL declarou, semana passada, que só uma fraude impediria sua vitória nas urnas.
“Temos que enfrentar dois projetos autoritários: aqueles com saudosismo da ditadura, e aqueles que fraudaram a eleição de 2014, como foi o caso da Dilma e do Temer pelo uso da corrupção. O Brasil não precisa ficar entre a espada da corrupção e a cruz do autoritarismo”, disse Marina. A candidata da Rede citou ainda as propostas do PT de controle da mídia e de convocação de uma Assembleia Constituinte: “Isso também é um risco à democracia”.
Ciro e Haddad
Ciro disse que era preciso que Haddad fosse claro sobre nova Constituinte.
“Na verdade, a nossa Constituição tem mais de 100 emendas. O presidente Lula era candidato até pouco tempo atrás. Ele imagina uma situação em que nós poderíamos criar as condições para que nós pudéssemos, no futuro, não agora, ter uma constituição mais moderna. Mais enxuta, com princípios e valores bem constituídos. Reequilibrar os poderes da República”, disse Haddad.
Deu-se então um embate: “Você não acredita em uma única palavra do que acabou de dizer. Não existe assembleia constituinte convocada pelo presidente da República. E o mais grave: você e eu sabemos bem, e a sociedade brasileira precisa saber, que as constituições nasceram para frear a prepotência dos poderosos. O general Mourão propôs a mesma coisa, retrucou Ciro”.
“Não tem nada a ver. Nossa proposta não prevê conselho de notáveis”, disse Haddad.
Dias e Alckmin
Após Ciro Gomes atacar a aliança de Fernando Haddad com Eunício Oliveira no Ceará, o candidato do Podemos à Presidência, Alvaro Dias, se juntou ao pedetista para atacar Haddad. Alvaro Dias citou reportagem da revista IstoÉ que aponta mandos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba, sobre alianças do PT no pleito. “Lá da prisão, em Curitiba, o ex-presidente Lula comanda a campanha do PT com bilhetes e autoriza repasses de recursos.”
Geraldo Alckmin prometeu corte de juros com “boa política fiscal” e sem aumentar impostos. O candidato alfinetou o PT e disse que o partido “só fala de Lula e esconde Dilma (Rousseff)”. A afirmação provocou risadas de Ciro.
Alckmin afirmou que Ciro estudou recriar a CPMF (imposto sobre movimentações financeiras, chamado imposto do cheque). O pedetista negou ter cogitado a ideia. Henrique Meirelles também foi confrontado. Alckmin questionou o motivo de o Brasil não ter crescido durante seu período à frente da Fazenda. Meirelles disse que a economia foi prejudicada pelos confrontos políticos. “O Brasil cresceria mais se não fossem as propostas radicais”, disse o emedebista.
Alvaro Dias (Podemos) também se voltou contra os candidatos do PT e do PSL, dizendo que há uma “marcha da insensatez” na campanha eleitoral e que “a mentira continua sendo uma arma poderosa na boca dos candidatos”.
Cabo Daciolo e Guilherme Boulos
Daciolo foi novamente responsável por momentos cômicos. Repetindo termos como “glória” e “em nome do senhor Jesus”, o deputado “profetizou” que será eleito no primeiro turno, com 51% dos votos. Criticou “essa farsa toda que é o cenário político do nosso País” e prometeu: “Da próxima vez vou trazer óleo de peroba”. Disse ainda que os rivais são “amiguinhos” e agem como se estivessem em um jogo.
Guilherme Boulos (PSOL) reagiu: “Eu não faço parte desse clube de amigos”. O psolista usou a primeira chance de falar para elogiar os atos contra Bolsonaro que ocorreram pelo País no sábado (29). “Primeiramente, ele não”, falou, ecoando o mote do movimento feminino. Para Boulos, as manifestantes deram “show de democracia e de coragem”.
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