Quarta-feira, 07 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de outubro de 2018
São falsas as afirmações de uma mulher que se apresenta como Conceição Duarte, engenheira e pastora evangélica, em um vídeo que circula por redes sociais com acusações contra os institutos de pesquisa. Ela diz trabalhar para o Datafolha e o Ibope e que os resultados dos levantamentos são fraudados.
A mulher afirma que a mesma pesquisa era feita por telefone “há um mês e meio”, nas suas palavras, e que o resultado apontava o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, com “cerca de 70% dos votos”.
Todas as acusações feitas por ela são falsas. Em nenhuma das pesquisas divulgadas por Ibope e Datafolha neste ano o candidato do PSL chegou a 70% das intenções de voto. Os levantamentos realizados pelos dois institutos são feitos presencialmente. No Ibope, o pesquisador visita a casa do entrevistado.
No Datafolha, a pesquisa é feita em pontos de fluxo. A mulher do vídeo também afirma que as questões dos institutos de pesquisa são feitas de forma enviesada. Segundo ela, na pesquisa
estimulada, quando são apresentados os nomes dos candidatos ao entrevistado, o nome de Jair Bolsonaro aparece por último, o que não é verdade. Tanto Ibope como Datafolha oferecem opções de resposta em um disco, em que o nome de cada presidenciável aparece em uma “fatia”.
Dessa forma, diminui uma possível influência que o ordenamento dos nomes dos candidatos poderia exercer sobre a resposta. A pergunta sobre rejeição também é feita de forma diferente do que descreve Conceição. Conforme os questionários dos últimos levantamentos Ibope e Datafolha registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o pesquisador pergunta “em qual desses nomes você não votaria de jeito nenhum”. Em seguida, o funcionário do instituto mostra
mais uma vez o disco com os nomes dos presidenciáveis.
O Ibope ainda apresenta aos entrevistados uma pergunta exclusiva sobre o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao candidato à Presidência do PT, Fernando Haddad. Porém, mais uma vez, a questão não é feita da forma descrita no vídeo viral. Segundo documento registrado no TSE, o pesquisador fala “O candidato do PT, Lula, foi impedido de disputar a eleição para presidente da República.
Considerando que Lula declarou seu apoio a Fernando Haddad, o(a) sr(a) com certeza votaria em Fernando Haddad, poderia votar nele ou não votaria em Fernando Haddad de jeito nenhum?”
Ibope e Datafolha negaram que Conceição Duarte trabalhe ou tenha qualquer vinculação com os institutos. O Datafolha comunicou ainda que a empresa não utiliza nenhum funcionário terceirizado, como Conceição alega ser. “Todos os pesquisadores que vão a campo são treinados pelo próprio instituto de pesquisa”, garante o Datafolha.
Repercussão
Até a tarde dessa terça-feira, uma das versões do vídeo no YouTube tinha 726 mil visualizações. De acordo com a ferramenta CrowdTangle, a gravação teve quase 18,5 mil compartilhamentos no Facebook.
O teor enganoso do vídeo foi verificado pelos profissionais de veículos de comunicação (“Folha de S.Paulo”, “Estadão”, “Gazeta Online”, BandNews e site UOL, dentre outros) ligados ao projeto Comprova, que se dedica a apurar informalmente a veracidade de mensagens suspeitas na internet. Eles não conseguiram localizar a mulher do vídeo e nem precisar quem ela realmente é.
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