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Mundo O papa pediu um “estudo minucioso” sobre o caso do cardeal americano McCarrick

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No encerramento do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia, o papa fala sobre a defesa da 'vida do planeta e da Amazônia'. (Foto: Divulgação)

O papa Francisco ordenou que fosse feito um “estudo minucioso” de todos os documentos nos escritórios do Vaticano sobre o ex-cardeal dos EUA, Theodore McCarrick. Trata-se da primeira resposta da Santa Sé às acusações levantadas contra o pontífice.

Em um documento divulgado em agosto, o arcebispo Carlo Maria Viganò, o antigo embaixador do Vaticano nos EUA, disse que o papa soube por anos da má conduta de McCarrick mas não tomou nenhuma providência.

McCarrick renunciou ao cargo depois que uma investigação independente concluiu que as afirmações de que ele havia abusado de um jovem de 16 anos podiam ser verídicas.

Em seu discurso, Viganò acusou uma longa lista de membros do Vaticano e da igreja americana de encobrirem o caso de McCarrick. Além disso, ele também pediu que o papa renunciasse.

McCarrick, de 88 anos, disse não se recordar do suposto abuso e, além disso, não comentou relatos de que forçaria homens adultos do sacerdócio a dormir com ele em uma casa de praia em Nova Jersey.

“Não é mais aceitável” que os bispos que cometeram ou encobriram o abuso sejam tratados de forma diferente dos padres, afirmou o Vaticano.

Carta

Em agosto deste ano, em um dos mais diretos ataques contra seu pontificado, o papa Francisco foi acusado por um arcebispo de ter acobertado acusações de abuso sexual atribuídas a um ex-cardeal norte-americano de 2013 para cá.

O autor da acusação, o italiano Carlo Maria Viganò, pediu a renúncia do pontífice.

A polêmica ocorreu no último dia da visita do papa à Irlanda, país de maioria católica no qual a igreja vive uma grave crise ética por diversas acusações de abusos por parte de religiosos.

Em 25 de agosto, Francisco havia pedido perdão por crimes passados da igreja. No dia seguinte, comandou uma missa que o Vaticano disse ter 300 mil fiéis, enquanto houve protestos contra a igreja devido a abusos e também a um caso envolvendo mortes de bebês num orfanato.

No avião de volta à Itália, o papa disse que não “falaria uma palavra” sobre a acusação de Viganò, da qual tinha conhecimento. Ela “fala por si só”, disse, insinuando que ela se insere num contexto de ataque de conservadores como Viganò contra seu papado dito progressista.

O italiano falou por meio de uma carta de 11 páginas no dia 26 de agosto. Ele foi embaixador da Santa Sé nos Estados Unidos de 2011 até atingir 75 anos e se aposentar, em 2016.

No texto, ele relata que o então cardeal Theodore McCarrick havia sido denunciado por abusos nos anos 2000. O papa Bento 16 destituiu o religioso de suas funções e ordenou que ele vivesse em clausura, afirma o arcebispo, sem apresentar documentos.

Viganò diz então que, em 2013, conversou sobre o caso com Francisco a pedido do papa. “Santo Padre, eu não sei se você conhece o cardeal McCarrick, mas se você perguntar à Congregação dos Bispos, há um dossiê tão espantoso sobre ele. Ele corrompeu gerações de seminaristas e padres e o papa Bento ordenou que ele se retirasse para uma vida de oração e penitência.”

Depois da reunião, Viganò afirmou que Francisco “continuou a acobertar” McCarrick e “não apenas ignorou as sanções do papa Bento” mas também o tornou “um conselheiro próximo”, responsável pela indicação de bispos nos EUA.

McCarrick fez viagens em nome da igreja e participou das negociações para o restabelecimento das relações entre os EUA e Cuba, em 2014. “Ele [o papa] sabia, pelo menos desde 23 de junho de 2013, que McCarrick era um predador”, escreveu.

A acusação é inédita: até aqui, João Paulo 2º e Bento 16 haviam sido acusados de negligência no trato de denúncias de abuso sexual, mas não haviam sido apontados diretamente por uma autoridade eclesiástica como responsáveis por acobertar casos.

A mais antiga publicação católica dos EUA, o jornal National Catholic Register, e o site LifeSiteNews publicaram a carta. Nela, Viganò também acusou de ignorar os crimes atribuídos a McCarrick dois ex-números dois do Vaticano sob João Paulo 2º e Bento 16.

Segundo o arcebispo, sua consciência o ordenou a revelar o caso. “A corrupção alcançou o topo da hierarquia da igreja”, escreveu.

Viganò não apresenta provas. Já a culpa de McCarrick está estabelecida em pelo menos um caso de abuso sexual de menor apurado pela Arquidiocese de Nova York –há ao menos outros três episódios sendo investigados.

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