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Brasil O partido Democratas diz ser neutro, mas critica o PT e se aproxima de Bolsonaro

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Como presidente do DEM, ACM Neto apoiou o PSDB no primeiro turno. (Foto: Valter Pontes/SECOM)

O DEM decidiu ficar neutro no segundo turno da corrida presidencial. A maioria dos integrantes do partido deve apoiar Jair Bolsonaro (PSL), mas a sigla preferiu não fazer uma adesão formal à candidatura. O comando da legenda emitiu nota em que faz duras críticas ao PT e expõe um alinhamento com a plataforma de Bolsonaro. O texto, entretanto, anuncia que os filiados estarão livres para tomar qualquer posição no segundo turno entre o candidato do PSL e Fernando Haddad (PT).

“Nosso partido assume o compromisso de contribuir com a construção do novo Brasil, um País completamente diferente daquele que nos foi legado pelo PT nos últimos anos”, afirma a nota. “Neste novo tempo que se anuncia, não cabem invasão e destruição de propriedades, e muito menos mensalão ou petrolão.”

Bolsonaro chegou a pedir o apoio formal do DEM em conversa por telefone com a cúpula do partido na terça-feira (9). Ao fim das negociações, os dois lados decidiram que a neutralidade era o melhor caminho.

Tanto dirigentes do DEM quanto aliados de Bolsonaro acreditam que uma adesão formal poderia trazer desgastes tanto para a sigla (que ainda tem dúvidas sobre o candidato) quanto para o presidenciável (que construiu uma imagem de afastamento em relação aos partidos tradicionais). O DEM mantém desconfiança em relação aos planos políticos de Bolsonaro.

O partido quer lançar o deputado Rodrigo Maia (RJ) à reeleição para a presidência da Câmara, mas Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidenciável, já manifestou interesse em concorrer ao posto. O provável articulador político de Bolsonaro em um eventual governo deverá ser Onyx Lorenzoni (RS), do DEM. Ele participou das negociações sobre um possível apoio da sigla ao candidato.

Por enquanto, o DEM prefere tratar a provável nomeação de Onyx para a vaga como uma escolha pessoal de Bolsonaro. Não houve, até o momento, negociações de cargos entre o partido e a equipe do presidenciável do PSL. No primeiro turno, o DEM apoiou a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), que ficou em quarto lugar na disputa.

Fragmentação

O Brasil jamais teve uma Câmara de Deputados tão fragmentada quanto a que acaba de ser eleita. A composição dos partidos ainda pode mudar até o início da próxima legislatura, entre outros motivos porque uma emenda constitucional veda o acesso de pequenos partidos a tempo de propaganda na TV e ao fundo partidário, a partir do ano que vem.

Mesmo com migrações projetadas em quase uma dezena de partidos menores, porém, a fragmentação ainda seria recorde ou perto disso. O indício mais evidente da fragmentação é o número de partidos representados na Câmara que acaba de sair das urnas, 30, ante 28 da eleição de 2014 e em torno de 18, nas eleições de 1989 a 2002.

Indicadores de concentração habitualmente utilizados pelas ciências sociais demonstram que a Câmara brasileira bateu novo recorde. Tornou-se uma aberração mundial ainda mais pronunciada, menor apenas que a de Papua Nova Guiné, na Oceania.

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