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Brasil O ministro Luís Roberto Barroso disse que o presidente do Supremo, Dias Toffoli, é quem deve se pronunciar em nome da corte sobre a declaração do filho de Bolsonaro

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Barroso (foto) negou provimento a recurso em habeas corpus no qual a defesa de Marcelo Henrique dos Santos pedia a revogação da medida que o tirou das funções cautelarmente. (Foto: Carlos Moura/STF)

O ministro Luís Roberto Barroso disse nesta segunda-feira (22) que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, é quem deve se pronunciar em nome da corte sobre a declaração do filho do candidato Jair Bolsonaro (PSL) de que bastam um soldado e um cabo para fechar o tribunal.

“O presidente estava fora e volta hoje. Acho que ele é quem deve se pronunciar em nome do tribunal. Na sua ausência, o decano já se manifestou. Acho que nesse momento complexo da vida brasileira, devemos falar a uma só voz. Tenho tido a mesma atitude no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), para que só a presidente fale em nome de todos”, disse Barroso na manhã desta segunda-feira.

Toffoli estava em Veneza para compromissos profissionais e deve chegar nesta segunda-feira (22) em Brasília. O decano e ministro Celso de Mello, do STF, classificou, em declaração por escrito à Folha, a afirmação do deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), de que bastam um soldado e um cabo para fechar a Corte, de “inconsequente e golpista”.

Disse ainda que o fato de Bolsonaro ter tido uma votação expressiva nas eleições – ele recebeu quase 2 milhões de votos – não legitima “investidas contra a ordem político-jurídica”. O magistrado enviou a declaração por escrito à Folha, e pediu que ela fosse publicada “na íntegra e sem cortes”.

FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) criticou no domingo (21) o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). “As declarações do deputado Eduardo Bolsonaro merecem repúdio dos democratas. Prega a ação direta, ameaça o STF”, afirmou, em rede social.

“Não apoio chicanas contra os vencedores, mas estas cruzaram a linha, cheiram a fascismo. Têm meu repúdio, como quaisquer outras, de qualquer partido, contra leis, a Constituição”, concluiu FHC. Em vídeo gravado em julho, disponível na internet, mas que veio à tona a uma semana do segundo turno, Eduardo responde a pergunta sobre uma hipotética possibilidade de ação do Exército em caso de o STF impedir que Bolsonaro assuma a Presidência.

“Cara, se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Você não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo, não”, disse Eduardo Bolsonaro.

Adversário na disputa presidencial, Fernando Haddad (PT) disse que a fala é uma ameaça ao STF. “Há muito medo de violência por parte de Bolsonaro. Um filho dele chegou a gravar, de um pensamento, se é que se pode chamar de pensamento o que eles falam, é uma coisa tão impressionante que não sei se pensam para falar”, afirmou o petista.

Em discurso durante uma caminhada nas ruas do centro de São Luís, Haddad disse que a família adversária atua como uma milícia. “O Bolsonaro é um chefe de milícia e os filhos dele são milicianos, são capangas. Não se controla esse tipo de violência. O medo de quem tem juízo só cresce, só quem está anestesiado não tem medo.”

Em nota, o PSOL repudiou “veementemente a manifestação do deputado e sua disposição de coagir o STF. É hora de o Judiciário enfrentar a ameaça neofascista.” O partido informou que vai representar contra Eduardo Bolsonaro na PGR (Procuradoria-Geral da República). Aponta crime de ameaça e atentado contra a divisão de Poderes, contra a democracia e os poderes constituídos. Representará também por desobediência coletiva ao cumprimento da lei de ordem pública.

 

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