Segunda-feira, 08 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 1 de novembro de 2018
O juiz federal Sérgio Moro aceitou nessa quinta-feira o convite para ser ministro da Justiça do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e, por isso, deixará de comandar a Operação Lava-Jato. Com a decisão de se afastar do Judiciário, Moro não julgará mais Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que no dia 14 de novembro seria interrogado pelo magistrado na ação que apura a compra do sítio de Atibaia.
O ex-presidente é réu em dois processos da Lava-Jato. O segundo processo que tem Lula como réu no Paraná está relacionado a compra de um terreno onde seria construída uma nova sede do Instituto Lula – que não chegou a ser erguida – e de um apartamento vizinho ao do ex-presidente em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Sérgio Moro anunciou que desde já está afastado das novas audiências.
O convite
Moro e Bolsonaro se reuniram na manhã desta quinta-feira, no Rio de Janeiro. O juiz chegou à casa de Bolsonaro, na Barra da Tijuca, um pouco antes das 9h. Ele saiu de Curitiba em voo de carreira e sem seguranças.
Após o encontro, Moro divulgou nota dizendo que aceitou “honrado” o convite. Moro disse, ainda, que aceitava o cargo com “certo pesar” pois terá que abandonar a carreira de juiz após 22 anos de magistratura.
“Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Publica na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas politicas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito a Constituição, a lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão”, diz trecho da nota divulgada pelo juiz.
Ainda conforme Moro, na prática, a decisão significa consolidar os “avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior.”
Relembre
A Operação Lava-Jato, que teve a 1ª fase deflagrada em 17 de março de 2014, começou com a investigação de lavagem de dinheiro em um posto de combustíveis e chegou a um esquema criminoso de fraude, corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras. Posteriormente, a ação alcançou outras estatais.
O doleiro Alberto Youssef, um dos alvos da Lava-Jato que ficou mais conhecido após acordo de delação premiada, já tinha sido investigado em outro processo sob responsabilidade do juiz, referente ao caso Banestado.
Entre 2003 e 2007, a investigação apurou evasão de divisas por meio de doleiros. Na operação, Youssef também tinha colaborado com a Justiça.
Em mais de quatro anos de Lava-Jato, o magistrado já sentenciou 46 processos, que condenaram 140 pessoas por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Entre os políticos condenados 13ª Vara Federal de Curitiba estão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB).
Doleiros, ex-diretores da Petrobras e empresários ligados a grandes empreiteiras do País também já foram condenados por Moro.
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