Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 12 de novembro de 2018
A ex-primeira-dama dos EUA Michelle Obama detona o presidente Donald Trump em seu novo livro, contando que entrou em choque quando soube que ele substituiria seu marido no Salão Oval e tentou “bloquear tudo”. Ela também denuncia a campanha de Trump chamada “birther”, que questionava o local de nascimento e a cidadania de Obama, chamando-a de preconceituosa e perigosa, “deliberadamente destinada a instigar os malucos e excêntricos”.
Em seu livro de memórias, “Minha História” (“Becoming”), que será lançado mundialmente nesta terça-feira (13), Michelle Obama escreve abertamente sobre tudo, como sua criação em Chicago, o namoro com Obama, e ter de enfrentar o racismo na vida pública e a sua incredulidade ao se tornar a primeira primeira-dama negra dos EUA.
Ela também reflete sobre suas primeiras lutas no casamento com Barack Obama, quando ele iniciou sua carreira política e com frequência estava distante. A ex-primeira-dama revela, por exemplo, que enfrentou problemas para engravidar, e que suas duas filhas com Barack, Malia e Sasha, foram concebidas por fertilização in vitro.
Michelle escreve que eles consultaram um conselheiro matrimonial “um punhado de vezes” e ela passou a perceber que estava mais “no comando” de sua felicidade do que percebia. “Esse foi meu ponto de virada”, explica. “Meu momento de autoafirmação.”
No livro, ela diz ter pensado que Trump estivesse “se exibindo” quando anunciou sua candidatura presidencial em 2015. Ela expressa descrença sobre quantas mulheres escolheriam um “misógino” em vez de Hillary Clinton, “uma candidata com qualificação excepcional”. Ela lembra que seu corpo “vibrava com fúria” depois de ver a infame gravação de “Access Hollywood”, em que Trump se gaba de atacar mulheres sexualmente.
Ela também acusa Trump de usar a linguagem corporal para “perseguir” Clinton durante um debate eleitoral. Segundo Obama, Trump seguiu Clinton pelo palco, parando perto dela e “tentando diminuir sua presença”. A mensagem do republicano, segundo Michelle, em palavras que aparecem no livro em negrito, era: “Eu posso feri-la e me safar com isso”.
A agência de notícias Associated Press comprou um exemplar antecipado de “Minha História”, um dos livros políticos mais esperados dos últimos tempos. Michelle é admirada em todo o mundo e fez poucos comentários extensos sobre seus anos na Casa Branca. E memórias de ex-primeiras-damas, incluindo Hillary Clinton e Laura Bush, geralmente são campeãs de venda.
Michelle Obama inicia sua turnê promocional não em uma livraria, mas no United Center de Chicago, onde dezenas de milhares de pessoas compraram ingressos — de pouco menos de US$ 30 (R$ 112) a milhares de dólares — para participar do evento, moderado por Oprah Winfrey.
Outras escalas em uma turnê com dimensões de estrela do rock estão planejadas em grandes arenas, do Barclays Center em Nova York ao Los Angeles Forum, com convidados incluindo Reese Witherspoon e Sarah Jessica Parker. Alguns fãs criticaram o preço como alto demais, mas 10% dos ingressos de cada evento serão doados a instituições beneficentes, escolas e grupos comunitários.
Em “Minha História”, Michelle compartilha sofrimento e alegria. Escreve carinhosamente sobre sua família e faz um relato detalhado de seu namoro com o futuro marido, que ela conheceu quando ambos trabalhavam na firma de advocacia de Chicago Sidley Austin; ela foi inicialmente assessora de Barack.
As secretárias afirmam que ele era ao mesmo tempo brilhante e “bonito”, embora Michelle desconfiasse, dizendo no livro que as pessoas brancas “enlouquecem” sempre que você “põe um terno” em um “homem negro meio inteligente”.
Ela também achou que a imagem dele tinha “um toque de brega”. Mas ficou bem impressionada depois que o conheceu, por sua voz “de barítono, profunda e até sexy” e por sua “estranha e instigante combinação” de tranquilidade e força. “Esse estranho homem que mistura um pouco de tudo”, quando ela finalmente o deixou beijá-la, provocou uma “explosão arrasadora de desejo, gratidão, realização, surpresa”.
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