Quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 13 de novembro de 2018
O vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, defendeu a venda da BR Distribuidora e o acordo Boeing-Embraer em videoconferência para executivos e empresários nesta terça-feira (13).
Segundo Mourão, o presidente eleito Jair Bolsonaro quer privatizar a BR Distribuidora, unidade de distribuição controlada pela Petrobras. As ações da BR Distribuidora subiram após os comentários de Mourão.
No fim de 2017, a companhia estreou na Bolsa de São Paulo como a terceira maior companhia de capital aberto do País em receita.
A oferta de ações foi registrada na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) com o preço de R$ 15 por papel, o piso da banda de preços estimada pela Petrobras quando anunciou a operação.
Boeing e Embraer
Mourão também disse que uma proposta de acordo sob a qual a Boeing adquiriria o controle das operações de jatos comerciais da Embraer é muito boa para a fabricante brasileira.
Em julho, a Boeing acertou a compra de 80% da divisão de jatos comerciais da Embraer por US$ 3,8 bilhões (R$ 14,9 bilhões). Um memorando de entendimentos foi assinado, mas a conclusão do negócio está prevista para ocorrer apenas no segundo semestre de 2019.
O atual governo já expressou sua simpatia pelo negócio. Ainda será necessário obter o aval dos órgãos de defesa da concorrência em vários países do mundo.
Demissões
O acordo de fusão entre a Boeing e a Embraer já provoca ações legais contrárias e medo no sindicato do setor: as críticas giram em torno da possibilidade de que os serviços de aviação comercial da brasileira sejam retirados do País, gerando prejuízos que vão desde a perda do polo tecnológico até a extinção de aproximadamente 26 mil postos de trabalho. Segundo o memorando de entendimento entre as duas empresas, mantido em sigilo até meados de setembro, a Embraer teria apenas 20% da joint venture que será criada, sem participação nas decisões estratégicas da nova empresa.
Todo o controle social e administrativo ficaria a cargo da Boeing. Para ser concretizado, o negócio ainda precisa ser aprovado pelo governo brasileiro, que tem o poder de veto por deter uma ação especial, chamada golden share. O MPT (Ministério Público do Trabalho) tenta conseguir na Justiça garantias de que as atividades da joint venture seguirão no País.
A fusão das duas empresas foi anunciada em julho deste ano. A Boeing compraria 80% da divisão de aviões comerciais da Embraer, a terceira maior exportadora do Brasil, por 3,8 bilhões de dólares (quase 15 bilhões de reais). Uma nova companhia, chamada NewCo, seria criada na condição de joint venture para administrar a atividade. No entanto, dois pontos do negócio detalhado no memorando de entendimento têm causado preocupação ao MPT: a falta de poder de decisão estratégica da Embraer e o acordo para que quaisquer ações oriundas desse memorando sejam submetidas à justiça estadunidense.
Para o procurador Rafael de Araújo Gomes, esses pontos representam “fortes indícios” de que a Boeing pretende levar a produção de aeronaves comerciais do Brasil para o exterior. “Fizemos uma estimativa, e pelo menos 26 mil empregos diretos ou indiretos podem ser extintos se isso acontecer. Não é demissão em massa, seria extinção para sempre. O prejuízo para a arrecadação brasileira também seria grande, porque a Embraer é a terceira maior exportadora do País”, afirma.
Desrespeito
O Sindicato dos Metalúrgicos publicou uma nota classificando o acordo entre as empresas de “desrespeito ao povo brasileiro”. Um dos diretores do sindicato, Herbert Claros, que trabalha na empresa, afirma que a divulgação do memorando tem preocupado os trabalhadores, que já vêm sofrendo demissões desde janeiro deste ano. “A gente da Embraer sempre viu a Boeing como concorrente e não é de um dia pro outro que a gente a vê como parceira. A empresa sempre deu a entender que seria uma parceria, mas sem poder de voto não tem como ser isso. A preocupação ficou maior”, afirma Claros. Por enquanto, a categoria ainda não planeja nenhuma mobilização, mas não descarta a possibilidade de greve e protestos caso a fusão seja formalizada.
O professor de economia da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp, Marcos Barbieri, diz não acreditar que as atividades de montagem das aeronaves sejam retiradas do Brasil em curto prazo, mas analisa que o negócio é prejudicial ao Brasil principalmente pela perda do polo tecnológico. “Vai desmontar a maior empresa de alta tecnologia que nós temos. É ruim para o desenvolvimento tecnológico do país. Vai sobrar uma oficina de manutenção”, afirma. Barbieri diz que na prática o negócio não se configura como uma fusão, mas como a aquisição do setor de aviação comercial da Embraer pela Boeing.
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