Quinta-feira, 08 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de novembro de 2018
O presidente eleito, Jair Bolsonaro, criou a Secretaria Especial de Assuntos Fundiários, que será assumida pelo ruralista Nabhan Garcia. Segundo a futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina, a estrutura deve ser ligada à sua pasta. Garcia é amigo de Bolsonaro e presidente da UDR (União Democrática Ruralista). Ele chegou a ser cotado para assumir a Agricultura, cargo que acabou recebendo indicação da FPA (Frente Parlamentar da Agricultura).
Nabhan se reuniu na quarta-feira com Bolsonaro e com Tereza Cristina. Para aparar arestas de divergências sobre as indicações para a pasta, os dois tiraram fotos juntos em encontro no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil).
“Quero fazer um programa de reforma saudável, sem invasões”, ressaltou o ruralista. “Isso não quer dizer que propriedade improdutiva não seja desapropriada para reforma agrária, porque isso esta na lei.” Ele disse, ainda, que vai modificar o modelo de reforma agrária: “Vamos fazer reforma com pessoas que têm vocação. Não vai ter mais reforma ideológica”.
Não faltaram críticas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). “A minha principal missão será acabar com as favelas rurais”, prometeu, referindo-se ao que considera como assentamentos improdutivos ligados à entidade.
Em entrevista à imprensa, ele detonou a política de reforma agrária dos governos do PT (2003 a 2016) e antecipou que “não haverá qualquer tipo de diálogo com quem invade propriedades rurais”. Segundo ele, “não adianta o MST se apresentar como um movimento social enquanto faz ocupações de fazendas”.
“Quem faz isso comete um crime e quem comete um crime não pode ser beneficiado com nada”, prosseguiu. “Se alguém quiser pleitear o direito de fazer reforma agrária, vai ter que pleitear dentro da lei, sem invasões, sem anarquia, sem invasões de prédios públicos, sem invasões de propriedade, sem bloqueio de estrada, sem afetar o estado democrático de direito.”
Polêmica
Após classificar como “fruto da velha política” a indicação da deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) para o Ministério da Agricultura , o ruralista afirma que vai trabalhar junto com ela numa gestão “voltada para a produção rural”. Conforme Nabhan, sua secretaria terá status de ministério e será ligada à Presidência da República e ao Ministério da Agricultura.
Dono de terras no interior de São Paulo e Mato Grosso, Nabhan ainda estuda se vai se licenciar da UDR. Ele diz não ver conflito de interesse em representar grandes produtores rurais e cuidar da reforma agrária. Um dos principais apoiadores da candidatura de Bolsonaro, disse, ao longo da campanha, ser favorável à manutenção do atual Código Florestal, mas criticou pontos do Acordo de Paris, aprovado pela comunidade internacional em 2015 com o objetivo de reduzir emissões de carbono, como a proposta de zerar o desmatamento.
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