Segunda-feira, 06 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 10 de janeiro de 2019
Fernando Haddad, candidato à Presidência pelo PT derrotado por Jair Bolsonaro, do PSL, venceu com 82,47% dos votos entre os presos provisórios do País que puderam participar das eleições. Eles somaram 7.934 pessoas que escolheram um dos dois candidatos, o que representa 3,4% do total de presos sem condenação definitiva no Brasil, cerca de 237 mil.
Foram 6.543 votos para Haddad (82,47%) contra 1.391 (17,53%) para Bolsonaro nas seções eleitorais instaladas em presídios, segundo levantamento feito pelo jornal O Globo com base nos resultados oficiais do segundo turno. Na eleição geral, o placar foi bem diferente: Bolsonaro ganhou com 55,13% da preferência dos brasileiros, ante 44,87% de votos conquistados pelo petista.
Os presos provisórios, por não terem condenação transitada em julgada, quando não há mais possibilidade de recurso, preservam seus direitos políticos, podendo votar. No entanto, é preciso que a Justiça Eleitoral disponibilize as seções eleitorais dentro de presídios. No segundo turno das eleições 2018, 220 seções foram instaladas em locais de privação de liberdade.
Apesar da vitória expressiva de Haddad entre os presos provisórios, Bolsonaro ganhou em três Estados: Amazonas (com 62,2% dos votos válidos), Paraná (com 60%) e Acre (com 55,06%). Em outras 19 unidades da Federação, Haddad venceu. No Ceará, ele obteve a maior votação: 98,2% — foram 109 votos para o petista contra apenas dois para Bolsonaro.
Não houve votação em cinco Estados: Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Mato Grosso e Tocantins. A falta de segurança foi o motivo mais alegado na época da eleição para não disponibilizar as urnas dentro de presídios.
Se analisados os resultados das 220 urnas, Bolsonaro perdeu em 200, empatou em duas e ganhou em 18. Teve a vitória mais expressiva, mais de 95% do eleitorado, em duas seções instaladas no município de Abreu e Lima (PE). Em outras 26, o presidente eleito não recebeu um voto sequer.
Nem todos os eleitores aptos a votar nas seções instaladas dentro de presídios são detentos provisórios, pois mesários e funcionários do estabelecimento podem eventualmente também votar no local. No entanto, eles são minoria, pois a instalação das estruturas é para atender aos presos com direitos políticos preservados.
Bolsonaro atacou Haddad
Ainda em clima de campanha eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro publicou recentemente em seu Twitter textos atacando Fernando Haddad, adversário derrotado por ele no segundo turno, e o PT. Bolsonaro chamou Haddad de “fantoche do presidiário corrupto”, em referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e disse que o PT quebrou o Brasil. As postagens foram feitas para rebater um texto que Haddad publicou em suas redes sociais de um jornalista alemão afirmando que “está na moda um anti-intelectualismo no Brasil”. Indagado sobre os ataques, o petista disse que não segue Bolsonaro na rede social e que o presidente o confundiu com o jornalista.
“Haddad, o fantoche do presidiário corrupto, escreve que está na moda um anti-intelectualismo no Brasil. A verdade é que o marmita, como todo petista, fica inventando motivos para a derrota vergonhosa que sofreram nas eleições, mesmo com campanha mais de 30 milhões mais cara”, publicou Bolsonaro.
“Eles procuram e criam todos os motivos possíveis para estarem sendo rejeitados pela maioria da população, só não citam o verdadeiro: o PT quebrou o Brasil de tanto roubar, deixou a violência tomar proporções de guerra, é uma verdadeira quadrilha e ninguém aguenta mais isso!”, complementou o presidente.
O texto que gerou a reação de Haddad foi publicado na versão em português do site da agência alemã Deutsche Welle . O jornalista alemão Philipp Lichterbeck, que mora no Brasil desde 2012, diz que está na moda um anti-intelectualismo que lembra a Inquisição.
“Os inquisidores não querem mais Immanuel Kant, querem Silas Malafaia. Não querem mais Paulo Freire, querem Alexandre Frota. Não querem mais Jean-Jacques Rousseau, querem Olavo de Carvalho. Não querem Chico Mendes, querem a “musa do veneno” (imagino que seja para ingerir ainda mais agrotóxicos)”, diz o texto de Lichterbeck.
Haddad respondeu que não seguia o presidente na rede social. Informado do teor do comentário, disse que Bolsonaro o confundiu com o jornalista. Minutos depois, em sua conta no Twitter, Haddad publicou um texto em resposta a Bolsonaro.
“Na verdade, quem disse isso foi um jornalista da Deutsche Welle, mas se você já se sentir seguro para um debate frente a frente, estou disponível. Forte abraço”, escreveu o petista.
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