Sexta-feira, 09 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 9 de fevereiro de 2019
O clima de luto era visível no Flamengo nesse sábado, um dia depois da tragédia no Ninho do Urubu, no Rio de Janeiro. Os jogadores do elenco profissional se reapresentaram pela manhã no centro de treinamentos do clube. Até por uma recomendação da diretoria, eles chegaram em silêncio e, um a um, foram adentrando o local em seus carros.
Alguns chegaram a abaixar as janelas para cumprimentar os jornalistas, mas ninguém aceitou conceder entrevista. “Não pode falar, certo? Não pode falar. Desculpa”, justificou-se o atacante Gabriel “Gabigol”, em um rápido contato com os repórteres.
A assessoria do Rubronegro, por sua vez, limitou-se a informar que não seria realizado qualquer treino ou atividade física pelo elenco. “Atletas e comissão técnica foram ao local apenas para conversar e orar”, ressaltou uma fonte ligada à cúpula do clube.
Atletas e comissão técnica, incluindo o treinador Abel Braga, que em 2017 perdeu um filho de 19 anos, realizaram orações e, depois, poucas atividades foram realizadas dentro da academia. Os jogadores, que vestiam preto, não foram a campo e também não treinarão no domingo.
A reapresentação do Rubronegro está marcada para esta segunda-feira, visando a semifinal da Taça Guanabara, que foi remarcada para a próxima quinta-feira, dia 14 de fevereiro, às 20h30min no estádio Maracanã. O duelo aconteceria nesse sábado, mas foi adiado a pedido da Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro) após o incêndio no Ninho do Urubu.
Zico
Maior ídolo da história do Flamengo, o ex-jogador Zico recebeu no Japão a notícia sobre o incêndio no Ninho no Urubu. O eterno camisa 10 do rubronegro declarou tristeza e pediu que sejam investigadas as causas do incêndio que matou dez adolescentes e deixou outros três feridos, um deles em estado grave.
“Que se apure tudo, pois uma tragedia dessas não pode passar em branco. Vidas se foram. Que a Nação Rubro-Negra tenha forca e fé para superar esse momento”, disse o “Galinho”, que atualmente atua como coordenador técnico do Kashima Antlers.
“É com muita tristeza que recebi essa notícia aqui no Japão sobre o que aconteceu no CT da base do Flamengo”, postou Zico. “A gente fica sem os pés no chão, muitas vezes não existem muitas palavras para esses momentos, principalmente muito desses garotos que eu vi durante o ano passado, um bom período eles treinaram no centro de futebol, e lógico, a gente acaba se aproximando deles.”
“Garotos com sonhos, objetivos, muitos deles para tentar ajudar seus familiares”, prosseguiu. “E uma fatalidade como essa, espero que tenha sido uma fatalidade, a gente acaba vendo uma tragédia como essa. Peço a Deus que conforte os familiares desses meninos que tinham sonhos, e que a torcida rubro-negra tenha muita fé, perseverança para superar esse momento. É difícil e a gente espera que tudo seja apurado porque vidas se foram e isso não tem volta.”
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