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Brasil Revista divulga áudios com troca de mensagens entre Bolsonaro e Bebianno. O filho do presidente havia dito que era “mentira” quando o ex-ministro mencionou os diálogos

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Bebianno, presidente do PSL, foi um dos principais coordenadores da candidatura de Bolsonaro. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Durante a crise que resultou na demissão de Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência da República, houve uma intensa troca de mensagens escritas e de áudio, todas via WhatsApp, entre o presidente Jair Bolsonaro e o agora ex-ministro. Mas Carlos Bolsonaro, filho do presidente, havia chamado Bebianno de mentiroso por não ter falado com o pai durante a crise, ao contrário do que os áudios mostram. O próprio presidente, porém, diz nas gravações que não considera que a troca de mensagens signifique que os dois tenham conversado. A divulgação foi feita pela revista Veja.

A relação entre Bebianno e Bolsonaro estava estremecida desde que o jornal Folha de S. Paulo revelou um esquema de candidaturas laranjas do PSL.

A crise agravou-se na quarta-feira (13), quando o jornal O Globo trouxe uma declaração de Bebianno negando qualquer crise no governo e dizendo que, no dia anterior, havia falado com o presidente “três vezes”.

Carlos aproveitou a oportunidade para detonar Bebianno, a quem culparia a perda da área da comunicação do governo. Postou um tuíte dizendo que era “mentira absoluta” que Bebianno tivesse falado com seu pai.

O tuíte de Carlos foi compartilhado pelo presidente. Na noite da mesma quarta-feira, Bolsonaro deu entrevista à TV Record em que afirmou que era mesmo mentira que Bebianno tivesse falado com ele.

Os áudios a que a revista teve acesso provam que, se alguém mentiu no episódio, foram o presidente e o filho.

Confira alguns trechos:

Na terça-feira (12), o presidente Bolsonaro encaminhou a Bebianno uma mensagem questionando a agenda do ministro, que receberia na terça-feira, o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo. Ao receber mensagem do presidente, a quem trata apenas por “capitão”, Bebianno respondeu de imediato: “Algo contra, capitão?”. Depois de insistir com algumas mensagens por escrito, Bebianno recebeu o seguinte áudio:

“Gustavo, o que eu acho desse cara da Globo dentro do Palácio do Planalto: eu não quero ele aí dentro. Qual a mensagem que vai dar para as outras emissoras? Que nós estamos se aproximando da Globo. Então não dá para ter esse tipo de relacionamento. Agora… Inimigo passivo, sim. Agora… Trazer o inimigo para dentro de casa é outra história. Pô, cê tem que ter essa visão, pelo amor de Deus, cara. Fica complicado a gente ter um relacionamento legal dessa forma porque cê tá trazendo o maior cara que me ferrou – antes, durante, agora e após a campanha – para dentro de casa. Me desculpa. Como presidente da República: cancela, não quero esse cara aí dentro, ponto final. Um abraço aí”, diz Bolsonaro.

Ministros chateados e viagem à Amazônia 

Em outro momento da troca de mensagens, Bebianno envia ao presidente uma nota publicado pelo site O Antagonista. A nota informa que Bebianno e mais dois ministros – Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Damares Alves, da Mulher, Família e Direitos Humanos – viajariam para o Pará para discutir projetos para a Amazônia com líderes locais. Bolsonaro não gosta.

“Gustavo, uma pergunta: “Jair Bolsonaro decidiu enviar para a Amazônia”? Não tô entendendo. Quem tá patrocinando essa ida para a Amazônia? Quem tá sendo o cabeça dessa viagem à Amazônia? Um abraço aí, Gustavo, até mais”, diz o presidente.

Depois desse áudio, o presidente, aparentemente, conversa com os outros dois ministros e a cancela a missão.

“Ô, Bebianno. Essa missão não vai ser realizada. Conversei com o Ricardo Salles. Ele tava chateado que tinha muita coisa para fazer e está entendendo como missão minha. Conversei com a Damares. A mesma coisa. Agora: eu não quero que vocês viajem porque… Vocês criam a expectativa de uma obra. Daí vai ficar o povo todo me cobrando. Isso pode ser feito quando nós acharmos que vai ter recurso, o orçamento é nosso, vai ser aprovado etc. Então essa viagem não se realizará, tá OK? Um abraço aí, Gustavo!”

Os áudios mostram que Bolsonaro, de fato, falou “três vezes” com Bebianno, exatamente como o ministro declarara ao jornal O Globo.

Querendo dar ares de normalidade à rotina do governo e assim minimizar o impacto da crise do laranjal do PSL, Bebianno declarara o seguinte ao jornal: “Não existe crise nenhuma. Só hoje (terça-feira) falei três vezes com o presidente”. Era verdade. Mas o filho Carlos postou o tuíte dizendo que ficara “24 horas do dia” ao lado do pai e não registrara qualquer conversa com Bebianno. E ainda postou um áudio em que o presidente garante que não tinha falado com o ministro – aparentemente, pai e filho consideram que troca de áudio não configura uma “conversa”.

Nos áudios seguintes, há trocas de mágoas e uma discussão sobre o que significa “falar” com alguém. Bolsonaro diz que não considera trocas de mensagem como conversa. “Agora: você não falou comigo nenhuma vez no dia de ontem”, chega a dizer.

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