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Brasil Desertores pedem que mais militares venezuelanos se unam contra o regime de Nicolás Maduro

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Três sargentos venezuelanos cruzaram a fronteira com o Brasil. Eles esperam se reunir com o autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó. (Foto: Divulgação G1)

Os três militares venezuelanos que desertaram para o Brasil neste fim de semana pediram aos companheiros de farda que deixassem de apoiar o regime de Nicolás Maduro. “Que se coloquem do lado do povo, porque o povo está passando fome”, disse o sargento Carlos Eduardo Zapata a jornalistas no domingo (24).

Três militares da Guarda Nacional Bolivariana desertaram pela fronteira da Venezuela com o Brasil. Dois sargentos chegaram na noite de sábado e estão alojados no abrigo para refugiados de Pacaraima, disse o coronel do Exército brasileiro Georges Feres Kanaan neste domingo. Outro sargento chegou pela manhã, por meio de uma rota clandestina.

Também no sábado (23), mais de 60 abandonaram o próprio país para a Colômbia, em uma dia de confrontos entre apoiadores do presidente venezuelano e opositores. Zapata, um dos três a desertar ao Brasil, relatou que um sobrinho dele morreu há cinco dias por falta de medicamentos.

“Nós, a tropa profissional, queremos que os nossos companheiros se unam. Se não podem fazer nada na Venezuela, que venham para o Brasil ou saiam para a Colômbia”, pediu Zapata. Perguntados sobre qual ordem recebiam para lidar com manifestantes, o sargento Jorge Luis Gonzales Romero respondeu: “Ninguém cruza a fronteira, nem veículo”. Se alguém tentasse cruzar, segundo ele, a orientação era “chamar a atenção e retirá-lo dali”.

Nesta segunda-feira (25), a fronteira permanece fechada e o clima é tranquilo. Do lado brasileiro, a Polícia Rodoviária Federal não impede a passagem de pessoas, mas evita aglomerações. O cordão que havia sido montado pelos agentes da Força Nacional para evitar confrontos foi desmobilizado.

“Cansados” de Maduro, pedem apoio a Guaidó

Os três sargentos repudiaram o regime de Nicolás Maduro, a quem eles disseram considerar um “usurpador de um cargo que não é dele”. “Não podemos mais aceitar a ditadura de Nicolás Maduro e sua gente. Nós nos cansamos disso. Somos conscientes da necessidade que sofre o povo venezuelano e a Venezuela”, desabafou o sargento Jean Carlos Cesar Parra.

O trio também reiterou apoio ao autoproclamado presidente interino Juan Guaidó. “Queremos nos encontrar com ele”, disse o sargento Gonzales Romero. Eles ainda pediram para se reunir com outros dissidentes venezuelanos na Colômbia e no Brasil – perguntados, os três não souberam dizer se outros militares desertaram para o território brasileiro.

Ajuda humanitária frustrada e confrontos

As deserções de militares venezuelanos ocorreram no chamado Dia D, quando a oposição, comandada pelo autoproclamado presidente Juan Guaidó, tentou fazer com que o regime de Maduro permitisse a entrada de ajuda humanitária por meio das fronteiras com o Brasil e a Colômbia.

As duas tentativas foram frustradas, e houve confrontos. Segundo o governo colombiano, 285 pessoas ficaram feridas nos embates ocorridos na fronteira com a Venezuela. Dois caminhões com ajuda humanitária foram incendiados e outro teve a carga retirada para evitar que fosse perdida.

tags: Brasil

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