Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 28 de fevereiro de 2019
O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou na noite de quarta-feira (27) que uma guerra civil na Venezuela é um “cenário possível”. Ele deu a declaração ao ser questionado sobre a crise no país vizinho, em entrevista para a GloboNews.
Mourão disse que a situação pode ser considerada, diante da manutenção do regime de Nicolás Maduro no poder. “O cenário da guerra civil é um cenário possível, pela situação que o país vive”, afirmou. O vice-presidente brasileiro relacionou a crise também à presença de “20 mil a 60 mil” cubanos colocados por Maduro em setores de inteligência e segurança da Venezuela, o que Mourão chamou de “força estranha”.
Segundo Mourão, a presença dos cubanos é uma forma de ameaça e dificulta o rompimento da ala militar com Nicolás Maduro ou da adesão ao movimento do líder da oposição e presidente interino autoproclamado, Juan Guaidó. “O que eu chamo de força estranha? São os cubanos”, comentou Mourão. “Os cubanos detêm o controle de todos os setores de Inteligência na Venezuela. Existe medo. ‘Medo’, foi essa a palavra que foi dita pelo presidente Guaidó”.
Desde o fechamento da fronteira do Brasil com a Venezuela em Roraima, há uma semana, 12 integrantes da Guarda Nacional Bolivariana desertaram, cruzaram o bloqueio e pediram refúgio no território brasileiro.
Itamaraty
O Itamaraty passou a procurar desde sábado (23) brasileiros residentes na Venezuela para saber se há interesse em obter ajuda para deixar o país. “Em caso de agravamento da situação política na Venezuela, teria interesse em retornar ao Brasil, caso o governo brasileiro venha a oferecer meios de transporte?”, indaga, em um formulário. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
O questionário, classificado como um alerta, tem sido enviado por e-mail e também disponibilizado no site do consulado do Brasil em Caracas. O Itamaraty estimou há um mês que havia 12.800 cidadãos brasileiros no país vizinho, que vive uma crise humanitária com o endurecimento da ditadura de Nicolás Maduro e o cerco de dezenas de países, Brasil inclusive.
Procurado na segunda-feira (25), o Ministério das Relações Exteriores não atualizou o número de residentes até a publicação desta reportagem. Tampouco respondeu qual é a orientação do governo aos brasileiros vivendo na Venezuela e qual assistência consular pretende oferecer àqueles que queiram deixar o país.
Cidadãos brasileiros estabelecidos há anos na Venezuela receberam o contato do consulado com surpresa, por não terem feito qualquer solicitação prévia. “Em vista da situação por que passa a Venezuela, este consulado-geral está coletando informações dos brasileiros residentes no país para fins de adotar medidas cabíveis de assistência consular”, introduz o Itamaraty na correspondência.
Há também perguntas sobre quantidade de dependentes e endereço completo. Ainda no sábado, o consulado emitiu “aviso importante” em que “alerta aos cidadãos brasileiros residentes na Venezuela sobre os riscos decorrentes da atual situação, e recomenda que evitem as áreas de conflito e limitem a sua mobilidade ao estritamente necessário”.
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