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Brasil Após um quarto trimestre ruim, a indústria brasileira conseguiu crescer pelo primeiro ano desde o início da recessão

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Com empregos criados e mais investimentos, o setor produtivo foi o último a reagir, mas continua longe de recuperar o vigor de antes da crise. (Foto: Agência Brasil)

Mesmo após um quarto trimestre ruim, a indústria brasileira conseguiu crescer pelo primeiro ano desde o início da recessão – e foi o último setor a sair da crise iniciada em 2014, depois de agronegócios e serviços. De acordo com os dados divulgados nesta quinta-feira (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a indústria “encolheu” 0,3% no 4º trimestre, na comparação com os três meses anteriores. No ano, no entanto, o setor fechou com alta de 0,6% – o primeiro resultado anual positivo desde 2003.

O mau desempenho do setor no último trimestre foi puxado pela indústria de transformação (que produz a partir de matérias-primas), que recuou 1% frente ao trimestre anterior, gerando um forte descompasso com o setor de serviços, que acelerou no período.

Mais empregos e capacidade instalada

O setor produtivo obteve alguns méritos em 2018. Entre altos e baixos, conseguiu gerar empregos – ainda que apenas 0,2% na comparação com 2017 – e aumentou sua capacidade média instalada, também em 0,2%, de acordo com dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Outro dado positivo foi o crescimento de 1% da produção em 2018, além do faturamento da indústria, que avançou em média 4,1%. Por outro lado, as condições financeiras das empresas pioraram no quarto trimestre. Segundo a CNI, o índice de satisfação com o lucro operacional caiu 0,8 ponto (para 42,0 pontos) em relação ao mesmo período de 2017.

Para o analista Thiago Xavier, a indústria saiu da crise no momento em que deixou de apresentar dados negativos de forma persistente, embora a retomada seja tímida, diante de uma base muito frágil. “Melhorou, mas está longe de reverter a queda acumulada na recessão”.

Ano difícil para o setor produtivo

A melhora nos indicadores da indústria não poupou o setor de um ano particularmente difícil. Imprevistos como a greve dos caminhoneiros atrapalharam a retomada, abalando a cadeia produtiva e os índices de confiança dos empresários. No segundo semestre, as incertezas eleitorais frearam os investimentos.

Para piorar, a crise na Argentina prejudicou a exportação de produtos manufaturados do Brasil, que tem o país vizinho como seu principal parceiro comercial nesta categoria, que se estende bem além dos automóveis. Não fosse o bom desempenho dos produtos primários, como a soja e outras commodities, o superávit da balança comercial brasileira teria sido bem inferior aos US$ 58 bilhões em 2018.

A saída da crise na indústria foi marcada por um ritmo de recuperação ainda mais lento que nos demais setores, que também demoraram para reagir. O setor produtivo foi o último a voltar a crescer, atrás de serviços e agronegócio. “Enquanto o consumo já havia crescido em 2017 e vem acelerando, o crescimento da indústria veio mais tarde, já que no ciclo econômico as famílias tendem a reagir mais rápido a essa retomada”, disse Xavier.

Expectativas positivas

Em meio à perspectiva de reformas e aceleração do crescimento, o setor vê 2019 com otimismo. A confiança da indústria registrou em fevereiro o maior nível desde agosto de 2018, informou a Fundação Getulio Vargas/Ibre.

Os índices de expectativa de demanda, compras de matérias-primas e quantidade exportada ficaram bem acima dos 50 pontos, indicando otimismo dos empresários, segundo dados da CNI. Contudo, resquícios da crise ainda geram preocupações, especialmente os bens manufaturados, que devem sofrer com a crise persistente na Argentina, alertaram pesquisados da FGV/Ibre no Boletim Macro de fevereiro.

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